segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Como tudo na vida

Escreveu um leitor, a propósito deste post:

Fala sempre de uma forma que parece que nem gosta da família, que horror. Comecei a vir a este blogue porque achei engraçado ver como se vivia com quatro filhos. Agora começo a achá-lo, a si, demasiado parvo. Tirando a piada a isto, portanto.

Está bem visto: eu sou indiscutivelmente parvo, e tenho dias em que sonho - com enorme e doce nostalgia - com o tempo em que tinha a casa e as noites só para mim. Era tão bom. Mas quero reconfortar o leitor (ou a leitora): também tenho momentos em que aprecio bastante a minha família, os meus filhos, e até a Rita, apesar de ser uma bebé, e de eu não achar graça a bebés. Espero que isso também se note. O que eu espero que não se note, por outro lado, é aqueles falsos textos cor-de-rosa, que fingem que os filhos são a melhor coisa do mundo a toda a hora. Porque não são. E essa linguagem cor-de-rosa fez muitas vítimas ao longo das décadas, sobretudo gente que se convenceu que a família era só maravilhas e amor (até há bem pouco o único discurso politicamente correcto sobre o tema) e que por isso acabava por desistir à segunda curva. O meu compromisso, aqui como em todo o lado, é de honestidade e dedicação canina à sinceridade. Eu acredito que a família é uma extraordinária invenção - mas é bom que as pessoas saibam que de vez em quando não tem graça nenhuma. Como tudo na vida, suponho eu.

27 comentários:

  1. Seleccione o seu "target". Já o acompanhava no CM de Domingo e continuo a acompanhá-lo. Não ceda a pressões e continue assim!

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  2. Completamente de acordo, para alem disso não esquecer que as criaças são seres crueis entre elas, so quem não quer ver é que acha que os meninos são uns seres verdadeiros e puros ou seja sanos. Pais esses são os e uns pessimos pais e sem nenhuma observação da realidade da vida e pouco verdadeiros tanto com eles e muito menos cos os filhos, eu presenciei atos de crueldade e egoismo em todo o lado e com o consentimento dos proprios pais!
    depois acham estranho esta sociedade social, politica, educacional, etc SOMOS FRUTO DA NOSSA HIPOCRISIA!
    não chorem assumam e tudo será mais facil de evoluir e suportar.

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  3. Parabéns! é isso mesmo! Nao podia concordar mais consigo!
    E se calhar é quando exprimimos essa verdade e assumimos que os nossos filhos sao uns sacaninhas de vez em quando que conseguimos lidar melhor com as situaç\oes.
    A isso chama-se permitir-se ser humana e ser-se sincero! Aplaudo de pé!

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  4. Foi exatamente por causa desse mundo cor-de-rosa à volta da maternidade/ paternidade que comecei a ter vontade de escrever um blog. Não só por isso, é certo, mas também. Teve um grande peso! Quando fui mãe deparei-me com uma série de situações que me perturbavam, que me faziam sentir a pior mãe do mundo, que me faziam sentir mal, uma trampinha, por vezes (para não dizer outra coisa). No entanto, rapidamente percebi que essas mesmas situações, não eram senão banais. Simplesmente fala-se pouco, ou não se fala, sobre as coisas mais chatas da maternidade.
    Acho imensa piada aos seus posts e à forma como escreve. Se parece meio abrutalhado de vez em quando, e peço desculpas desde já pela expressão, parece, vê-se que é genuíno e isso é que é giro. Além disso, nunca pus em causa o amor que tem pela sua família. No fundo, as coisas que diz, refletem o que todos, volta que não volta, sentimos. Continue assim :)

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  5. Adoro o vosso blog, sobretudo porque é o único que conheço que tem como porta-voz (na maior parte das vezes) o Pai/Marido e nos dá a perspectiva masculina da coisa ;)
    Parabéns e a continuação de um bom trabalho.
    Bjs

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  6. A sinceridade é uma coisa muito boa e dizer mal das coisas ajuda imenso a exorcisar os maus-estares. Não sou mãe de quatro mas sou mãe de três, compreendo perfeitamente (e subscrevo).

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  7. Na qualidade de pessoa que está em fase de dar o passo final para a maternidade agradeço imenso os textos realistas deste blog. Assusta-me e amedronta-me o elogio exacerbado à maternidade / paternidade, faz-me pensar que serei um qualquer monstro porque tenho para mim que há coisas que não vou adorar assim de caras... E frases como "tenho momentos em que aprecio bastante a minha família (...)e até a Rita, apesar de ser uma bebé, e de eu não achar graça a bebés." faz-me ter esperança acrescida no meu marido!! =) Portanto João e Teresa obrigada!!

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  8. Meu Caro João Miguel
    Eu, com cinco deles (embora em duas fornadas) não tenho problemas nenhuns em dizer que houve (e há) dias em que me apetece deitá-los pela janela... só que não os deito. e talvez não os deite porque, exactamente, me concedo a liberdade - porque é disso que se trata - e a lucidez de poder pensar isso sem sentid o peso esmagador da culpa judaico-cristã.
    As crianças podem ser muito chatas e nós precisamos também de tempo para nós. Arquitectar o puzzle requer arte, claro, mas, quer a infância, quer a gestão da mesma, não é cor-de-rosa - é negra. A gente tenta, depois, pintar umas cores que dêem à tela um aspecto um bocadinho melhor.
    Infelizmente há muitas pessoas que não querem ver a evidência e que colocam tudo de uma forma maniqueísta: ou se ama ou se detesta - não somos (felizmente) de plástico e temos cambiantes de sentimentos.
    Abraços

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  9. Não sou mãe, sou filha do meio... sei bem o que a minha mãe passou connosco e a quantidade de vezes que praguejava a cada asneira nossa ou cada mau comportamento, assim como elogiava cada conquista nossa cada momento nosso! tb amo mais que td a minha mãe, e tem dias que é literalmente impossível... mas não é por isso que deixo de gostar menos dela. tem tda a razão, não há famílias perfeitas, não há relacionamentos perfeitos, uns dias são maus outros são bons, mas é isso que faz com que td valha a pena!

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  10. Nitidamente o leitor não leu o seu texto do CM 13/01! Porque se tivesse lido, teria percebido (ou não...) que se depois de quatro filhos "em escadinha" ainda consegue escrever assim sobre o Amor que sente pela sua mulher, e consequentemente pela sua família, é porque gosta mesmo muito da sua família! Serve isto para dizer que o seu texto deste domingo estava fantástico! Parabéns! :)

    Carla

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  11. Sinceridade para consigo mesmo, os mais próximos e agora com os leitores! Concordo em absoluto com cada uma destas linhas.Por tantos não assumirem as situações e/ou pensamentos mais "obscuros" é que temos tantos pais, principalmente em estreia na matéria, a sentir-se pressionados, culpados quando a "realidade", bem longe das célebres descrições poéticas, lhes cai em cima. Por mim é por isto mesmo, por esta frontalidade (em situações que me são tão familiares)que estou fã deste blogue!

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  12. Olá,

    Eu, Mãe de uma "criancinha" que amo e adoro de paixão é tudo para mim, quantas e quantas vezes sinto a temperatura a subir, tremores pelo corpo para me controlar do estado de insanidade em que ela me deixa e falo de uma, umaaaaaa. Ás vezes penso, ai se fossem dois ou três ou por aí fora, iam-me encontrar a dar cabeçadas na parede, portanto caríssimo, esses "falsos" lá lá lá lé lé, tenham paciência, mas ou estão em modo meio morto ou não estão nem ai. Antes de ser Mãe achava que era a pessoa mais paciente do mundo, foi preciso a minha filha nascer, para me dar a conhecer um outro eu que andava camuflado sob uma falsa calma e uma aparente indiferença a determinadas situações dos nossos dias.
    Gosto do que escreve e todos os dias venho ao seu blogue, portanto faça-me um a favor FORÇA NA ESCRITA.

    Carla Almeida

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  13. Que caia um tijolo em cima de quem tem filhos e nunca os quis atirar pela janela! Eu adoro a forma como escreve, o humor que imprime aos seus posts e à forma como encara a paternidade e os seus filhos e acho que é um óptimo exemplo das várias facetas que essa realidade encerra.

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  14. Eu continuo a achar que, como em tudo, quem não gosta não lê. Se não gostar de um blog, sigo para outro. Há sempre várias perspetivas, por isso nunca iremos concordar todos nem ter todos a mesma visão. ;)

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  15. Caro João Miguel Tavares,

    Fique descansado. Tenho 3 filhos e conheço bastantes famílias com 3, 4 e até 5. Não está obviamente em causa amor aos filhos, mas eu e todos estes meus amigos somos unanimes: 90% do tempo é ralhar e organizar e arrumar e limpar. O tempo para nós é escasso. Mas depois, existem aqueles 10% onde ingenuamente nos esquecemos de tudo o resto e achamos ( porque é verdade ) que a família e os filhos são o que de melhor temos no mundo. Bem haja

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  16. Tretas! vou no segundo e quero ter mais... Acho um piadão aos vossos posts e não, não me tiram a vontade de ter mais.
    obrigado e continuem assim.
    mm

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  17. lolol
    Não tenho filhos (ainda), mas compreendo que assim seja!
    Eles são o melhor, mas também conseguem ser o pior!
    Mas isso... são pormenores que pesam menos na balança.

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  18. Pois...
    eu sou daquelas mães idiotas que simplesmente adora ter filhas :D. Não sei se por ter demorado tanto e custado tanto a tê-las (a tal coisa do fruto proibido ou das nozes e dos dentes), mas em três anos e meio de mãe de duas filhas nunca tive vontade de as enfiar num caixote e enviar para os Açores.
    Se é fácil? Porra, não. Mas não sei se é pelo meu feitio, se é pela promessa que lhes fiz quando ainda as esperava, mas o certo é que tenho - para elas e com elas - uma paciência que não tenho para os adultos já formados. Encantam-me todas as brincadeiras, todas as conquistas, todas as experiências. Não me babo, nem as acho sobre-sobre, mas gosto. Ainda que tenha de ler dois mais dois livros à noite, ainda que (ainda hoje) acorde para as tapar, ainda que - lá no fundo - sinta falta de uma noite de sono inteira.
    Mas pah, gosto :P. gostei sempre.

    Nesta coisa, a única (coisa) que me atormentou foi não ter sentido, quando as vi pela primeira vez, aquele amor de filme americano e novela mexicana que todos apregoam: não senti baque, nem um amor imenso, nem êxtase - senti medo. Pavor. Terror. Pânico.
    Só aos dois meses e meio de ser mãe é que dei por mim a beijá-las como filhas e não como tarefas... ainda que aquelas pequenas goelas continuassem a berrar, dia e noite, durante mais 60 dias inteiros.

    Para já sou assim. Quando deixar de ser, paciência :P

    Ana Maria

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  19. Não podia concordar mais com a resposta, João Miguel. Força, continua a escrever.

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  20. João penso que foi uma critica importante, e diga lá se não teve graça quando o chamou de um parvo com alguma piada ?
    Na verdade o João terá de agradecer-lhe, porque lhe fez despoletar a inspiração para essa magnifica resposta. Desculpe a minha opinião mas é importante conviver com o negativo, pelo menos na minha opinião os " rodriguinhos " também me causam uma certa impressão, quando avisto ao longe uma legião de bajuladores até me arrepio...muitas vezes a abanar a cabeça que sim ao não.
    Bom texto, como é hábito.

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  21. Adoro seu blog o qual visito muitas vezes...e por favor continue assim....assim mesmo como é sincero!!!
    Parabéns pela sua forma de escrever cá em casa gostamos muito!!

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  22. Como há por aí muito blog a verter baba sabe bem vir aqui rever muito do nosso dia a dia. Pois eu vai nao vai penso que me sabia bem ser divorciada. Iam de fim de semana para o pai, de semana para o pai, de férias com o pai. .. mas como o pai é bom marido, tenho q viver com as loucuras da maternidade todos os dias.

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  23. E no fim que o Benfica seja campeão!Agora a sério,só lé quem quer e não podemos agradar a todos.Parabéns pelo blogue.Só tenho uma filha por opção,ou posso dizer imposição, infelizmente neste país temos de ser conscientes que a velha máxima "tudo se cria" já não existe.Felicidades para toda a sua familia.Cump Sandra M

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  24. É uma grande verdade, a maternidade e a paternidade são a "tarefa" mais difícil, extenuante e frustrante das nossas vidas, Isso não significa que não amemos os nossos filhos acima de tudo, e que a maternidade e a paternidade, não sejam também a "tarefa" mais incrível, surpreendente, enriquecedora e a nossa maior realização.
    Quando estava em casa, durante a minha 1ª licença de maternidade, vi um programa americano acerca de um conjunto de mães que assumiam a parte menos positiva da maternidade, e que foram muito criticadas por isso. Como me senti identificada e aliviada, afinal não era a única.
    As suas crónicas são fantásticas e revelam um pai que adora a sua família, mesmo nas situações “menos boas”. Nós adoramos, e é um momento de catarse rir de situações que, quando as vivemos, não achamos assim tão engraçadas. Ajuda-nos a relativizar algumas coisas, a perceber que não há famílias perfeitas, pois sabemos que não acontece só connosco.
    Obrigada!

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  25. Será que quem teceu tal comentário, não consegue perceber que quem fala (escreve) assim, é porque ama tão apaixonadamente que mesmo estando a falar de situações que o tiram do sério, é um pai que ama incondicionalmente os seus filhos?
    Em cada palavra sua consigo ver o amor que tem por cada um dos seus filhos.
    Este blog é prova desse amor. Parabéns pela família fantástica!
    Tivesse eu o dom da escrita e a minha filha teria um blog com os relatos detalhados das suas proezas que tanto me tiram do sério, mas que no fundo no fundo ainda me consigo rir, mesmo que seja quando ela desvia o olhar.
    Mais uma vez parabéns e continuem!

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  26. Nós também somos pais de 4...um deles adolescente...e como ja disse num comentario anterior é o AMOR, este grande alicerce da nossa familia...como deve ser de qualquer uma, mas, na minha opinião somos um caso à parte, nós as familias numerosas.
    Há momentos em que é a verdadeira loucura, é giro é maravilhoso é fantástico é tudo cor de rosa... às vezes!é claro que somos abençoados com uma familia grande e isto é de fato uma benção, para mim é.
    Mas somos todos humanos e tem dias ...oh valha-me Deus...
    -A Madalena não quer aquela saia. O mais velho esqueceu-se de me dar um papel para assinar quando o pai ja está no carro à espera dele, o Tomás quer ir vestido de Gormiti para a escolinha, a Margarida nao quer a bata...eu tenho que me despachar para sair também e deixar os do meio na escola...
    Ou ao fim do dia quando ninguém quer tomar banho e começam a correr pela casa para os apanharmos...
    Mas somos uma familia numerosa, é mesmo assim...e eu gosto!

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  27. Pois eu acho que nem valia a pena estar a comentar o comentário.

    Por outro lado, esta resposta, trouxe mais vida ai blog.

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