O Gui chegou ao pé de mim com uma construção em Lego que tinha acabado de fazer:
"Que lindo, Gui", disse eu. "É um gatinho!"
"Não é nada um gatinho", respondeu ele zangado. "É uma máquina frotrográfica."
De facto, estupidez a minha. De um ângulo mais favorável, via-se perfeitamente que era uma máquina frotrográfica.
sábado, 5 de janeiro de 2013
Sentimento de culpa
Escreveu uma leitora:
Estes dois posts (o seu e o da Sónia) fizeram-me muito bem, porque sendo mãe de duas meninas sentia-me muiiiiiiito culpada por não ter a disponibilidade (de tempo, física e mental) para brincar com as minhas filhas as vezes que elas pretendem. E até hoje achava que era um E.T, nesta matéria... Talvez porque (e apesar de vir de uma família em que os papéis de adultos e crianças estavam bem demarcados e definidos e não havia cá “paninhos quentes” para o(a)s menino(a)s) vim cair numa família em que tudo é feito SEMPRE em função das crianças, o que me leva a questionar muitas vezes da minha vocação para ser mãe. Mas pelas reacções ao artigo da Sónia e ao seu post que tenho lido vi que afinal não sou a única. E agora pergunto-me: De onde vem este sentimento de culpa que parece ser transversal à nossa geração de pais?
Receio bem que essa seja a pergunta do milhão de dólares. Eu não tenho nenhuma boa resposta para ela, e não sei se há por aí alguma mãe/ pai/ psicólogo/ psicóloga que tenha. Mas não há dúvida que vivemos num tempo paradoxal: nunca os pais foram tão dedicados aos seus filhos, e nunca tiveram tantos problemas de consciência por não lhe dedicarem o tempo suficiente.
Até pode haver um lado bom nisso, se toda essa auto-reflexão nos ajudar a sermos menos egoístas e mais atentos às necessidades dos outros. Mas quando isso se transforma em angústia e sentimentos de culpa - ainda para mais um sentimento de culpa silenciado, porque admitir publicamente falhas em relação às nossas capacidades parentais ainda é quase um tabu - não é bom para ninguém. Nem para os pais, nem para os filhos.
Estes dois posts (o seu e o da Sónia) fizeram-me muito bem, porque sendo mãe de duas meninas sentia-me muiiiiiiito culpada por não ter a disponibilidade (de tempo, física e mental) para brincar com as minhas filhas as vezes que elas pretendem. E até hoje achava que era um E.T, nesta matéria... Talvez porque (e apesar de vir de uma família em que os papéis de adultos e crianças estavam bem demarcados e definidos e não havia cá “paninhos quentes” para o(a)s menino(a)s) vim cair numa família em que tudo é feito SEMPRE em função das crianças, o que me leva a questionar muitas vezes da minha vocação para ser mãe. Mas pelas reacções ao artigo da Sónia e ao seu post que tenho lido vi que afinal não sou a única. E agora pergunto-me: De onde vem este sentimento de culpa que parece ser transversal à nossa geração de pais?
Receio bem que essa seja a pergunta do milhão de dólares. Eu não tenho nenhuma boa resposta para ela, e não sei se há por aí alguma mãe/ pai/ psicólogo/ psicóloga que tenha. Mas não há dúvida que vivemos num tempo paradoxal: nunca os pais foram tão dedicados aos seus filhos, e nunca tiveram tantos problemas de consciência por não lhe dedicarem o tempo suficiente.
Até pode haver um lado bom nisso, se toda essa auto-reflexão nos ajudar a sermos menos egoístas e mais atentos às necessidades dos outros. Mas quando isso se transforma em angústia e sentimentos de culpa - ainda para mais um sentimento de culpa silenciado, porque admitir publicamente falhas em relação às nossas capacidades parentais ainda é quase um tabu - não é bom para ninguém. Nem para os pais, nem para os filhos.
sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
Agarrada à vida
A pequena Nevaeh (heaven de trás para a frente) agarra a mão do médico que a fez nascer em Outubro de 2012. A sua mãe é fotógrafa profissional mas foi o pai que captou este momento mágico, que devolve ao bebé o instinto de sobrevivência que tantas vezes lhe é retirado.
Esta imagem está a correr as redes sociais desde 26 de Dezembro, quando os pais da pequena Nevaeh a publicaram na sua página do Facebook.
Esta imagem está a correr as redes sociais desde 26 de Dezembro, quando os pais da pequena Nevaeh a publicaram na sua página do Facebook.
Vrummm... Deixem passar a Carolina
A Carolina recebeu uma trotineta este Natal e desde então vai com ela para todo o lado. E quando digo todo o lado é mesmo todo o lado, inclusivé dentro de casa.
Deixou de usar as perninhas para caminhar. O nosso corredor parece uma via rápida e atravessá-lo tornou-se mais perigoso do que atravessar a A1. E nem por isso ela começou a chegar mais depressa quando a chamamos, pois aproveita sempre para percorrer a casa toda e fazer uns piões antes de chegar ao local solicitado.
Já se registaram pequenos incidentes com os irmãos, e tropeções são a ordem do dia. Se não for instituído um código de circulação caseira muito depressa, em breve vou começar a coser cabeças.
Aqui está a turbo-trotineta, estacionada à porta da casa-de-banho.
Deixou de usar as perninhas para caminhar. O nosso corredor parece uma via rápida e atravessá-lo tornou-se mais perigoso do que atravessar a A1. E nem por isso ela começou a chegar mais depressa quando a chamamos, pois aproveita sempre para percorrer a casa toda e fazer uns piões antes de chegar ao local solicitado.
Já se registaram pequenos incidentes com os irmãos, e tropeções são a ordem do dia. Se não for instituído um código de circulação caseira muito depressa, em breve vou começar a coser cabeças.
Aqui está a turbo-trotineta, estacionada à porta da casa-de-banho.
A primeira papa da Rita
Ontem a Rita comeu a sua primeira papa, momento que fica registado para a posteridade nesta sua foto oficial.
Embora insistisse em mamar na colher, comeu tudo, tudo até ao fim. Que lindo, não é? Fizemos uma grande festa.
Mas os festejos duraram pouco. Seguiram-se três horas de choradeira ininterrupta - muito provavelmente cólicas, por lhe ter ido parar à pança gastronomia desconhecida.
Nada é fácil nesta vida.
Embora insistisse em mamar na colher, comeu tudo, tudo até ao fim. Que lindo, não é? Fizemos uma grande festa.
Mas os festejos duraram pouco. Seguiram-se três horas de choradeira ininterrupta - muito provavelmente cólicas, por lhe ter ido parar à pança gastronomia desconhecida.
Nada é fácil nesta vida.
quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
Vai um copinho de chocolate?
Felizmente eu cheguei antes de ele começar a juntar o leite.
Mamã, eu já votei!
O doutor Mário Cordeiro é o pediatra da nossa família, e hoje ele levanta uma questão bastante interessante no Público: Deverão as crianças e os adolescentes ter direito a voto? Encontram o texto aqui.
Lá tive de levar com a feira popular
Neste Natal escapei-me de ir ao circo (iupi!). E também me ia escapando de ir à Feira Popular, não fosse a excelentíssima esposa fazer questão de cumprir as promessas que faz aos filhos (ooooh!). E lá fomos nós: já noite cerrada, um frio de rachar, meia-dúzia de gatos pingados no recinto e preços obscenos para fazer o que quer que fosse (experimentem multiplicar dois euros por cabeça e por actividade por três filhos - estive quase para ir assaltar a dependência bancária da rotunda de Entrecampos). Mas pouco sensíveis a questões financeiras, à exploração do trabalho infantil (havia uns miúdos a atender numas barraquinhas que deviam ter para aí a idade da Carolina) e a pirosadas de feira decadente, eles divertiram-se à brava. Ritinha incluída, enfiada no seu canguru (que ela adora). Na véspera do regresso à escola, foi assim o meu final de dia de ontem:
Brincar com os filhos
A propósito deste post da Sónia, gostava de acrescentar uma coisa que me parece muito importante, porque me parece também por vezes muito esquecida: a função principal de um pai não é brincar com os filhos. Claro que é fantástico que os pais brinquem com os filhos e se divirtam com eles, mas isso não está sequer no top 5 de uma qualquer "to do list" paternal.
Dar-lhes uma boa educação, ensinar-lhes os valores que importam, ser exigente com eles, torná-los independentes, dar-lhes carinho (e brincar é apenas uma de muitas formas de os acarinhar), ensiná-los a serem pessoas decentes, autónomas e confiantes nas suas capacidades é o melhor que lhe podemos legar, e isso não passa necessariamente por correr o chão da sala de gatas com um filho nas nossas costas (e eu fiz isso muitas vezes).
Isto pode parecer óbvio, mas qualquer sociedade movimenta-se em torno de certas narrativas, e a narrativa actual é aquela que diz que os pais são pessoas super-ocupadas e que dedicam muito pouco tempo aos filhos. Daí a ênfase na brincadeira e no estar com eles. Mas eu também conheço o contrário: pais que sentem problemas de consciência de cada vez que não são capazes de responder a TODAS as solicitações dos seus filhos. Ora, eu acho que não têm. Mais: não devem.
Eu levo uma parte significativa do meu tempo a enxotar os meus filhos, porque se eu os deixasse estava de manhã à noite a responder às suas solicitações. Não pode ser. Não só por serem muitos, não só por eu também ter vida própria (embora às vezes duvide disso), mas sobretudo porque eles também têm de aprender a brincar sozinhos. Isso desenvolve-lhes a imaginação, exercita-lhes a moleirinha e, sobretudo, obriga-os a desenrascarem-se sozinhos, sem terem o pai-palhaço a seu lado, constantemente a estimulá-los.
Dar-lhes uma boa educação, ensinar-lhes os valores que importam, ser exigente com eles, torná-los independentes, dar-lhes carinho (e brincar é apenas uma de muitas formas de os acarinhar), ensiná-los a serem pessoas decentes, autónomas e confiantes nas suas capacidades é o melhor que lhe podemos legar, e isso não passa necessariamente por correr o chão da sala de gatas com um filho nas nossas costas (e eu fiz isso muitas vezes).
Isto pode parecer óbvio, mas qualquer sociedade movimenta-se em torno de certas narrativas, e a narrativa actual é aquela que diz que os pais são pessoas super-ocupadas e que dedicam muito pouco tempo aos filhos. Daí a ênfase na brincadeira e no estar com eles. Mas eu também conheço o contrário: pais que sentem problemas de consciência de cada vez que não são capazes de responder a TODAS as solicitações dos seus filhos. Ora, eu acho que não têm. Mais: não devem.
Eu levo uma parte significativa do meu tempo a enxotar os meus filhos, porque se eu os deixasse estava de manhã à noite a responder às suas solicitações. Não pode ser. Não só por serem muitos, não só por eu também ter vida própria (embora às vezes duvide disso), mas sobretudo porque eles também têm de aprender a brincar sozinhos. Isso desenvolve-lhes a imaginação, exercita-lhes a moleirinha e, sobretudo, obriga-os a desenrascarem-se sozinhos, sem terem o pai-palhaço a seu lado, constantemente a estimulá-los.
quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
Valorizar a assistência técnica
O tempo que um gajo gasta a dar assistência técnica aos seus filhos deveria ser mais valorizado pelas nossas excelentíssimas esposas. Para os meus filhos eu sou uma espécie de linha informática de valor acrescentado, só que em vez de ligarem 760 qualquer coisa limitam-se a gritar "papá, preciso de ajuda!" Nunca é "mamã, preciso de ajuda!", é sempre "papá, preciso de ajuda!". E isto às horas mais tristemente madrugadoras, ao ponto de me arrancarem da cama para enfrentar, todo estremunhado, questões técnicas altamente complexas como o carregamento dos Invizimals na PSP ou a colocação de Skylanders no portal para permitir que dois deles possam jogar ao mesmo tempo.
Este tempo nunca é devidamente tido em conta na contabilidade doméstica. Como a excelentíssima esposa me vê agarrado a comandos da Wii e a consolas, conclui imediatamente que eu estou divertidíssimo a brincar com eles. Pois não estou nada. O que eu estou a fazer é tentar enfrentar a tecnologia do século XXI com uma pobre cabeça produzida em 1973, e que quando era adolescente se limitava a carregar cassetes do Match Day no ZX Specturm. Não havia nada destas parafernálias tecnológicas, de tal modo variadas que um gajo precisa de mestrados em Skylanders e doutoramentos em Invizimals para aprender a dar um murraço na cabeça de um mau qualquer. Ainda para mais, as modas mudam a velocidades estonteantes.
Neste preciso momento, por exemplo, tenho três tipos a arrastarem-se pelo chão da sala à procura de bichos digitais supostamente invisíveis.
Dentro em breve, algum deles irá gritar: "papá!, há aqui uma parte que eu não percebo e não sou capaz de fazer!" É só começar a contagem decrescente:
3...
2...
1...
cá está.
Não é que eu me queria livrar deste género de obrigações. Mas exijo que no contrato caseiro elas sejam muito mais valorizadas do que fazer ovos estrelados ou pôr a máquina da roupa a lavar. É trabalho super-qualificado, é sempre o mesmo desgraçado a fazê-lo, e cada intervenção deve ser equiparada, no mínimo, a passar a ferro três camisas, dois pares de calças e quatro vestidinhos de bebé. A exploração do pai pela criança - com a conivência da mãe - tem de acabar.
Este tempo nunca é devidamente tido em conta na contabilidade doméstica. Como a excelentíssima esposa me vê agarrado a comandos da Wii e a consolas, conclui imediatamente que eu estou divertidíssimo a brincar com eles. Pois não estou nada. O que eu estou a fazer é tentar enfrentar a tecnologia do século XXI com uma pobre cabeça produzida em 1973, e que quando era adolescente se limitava a carregar cassetes do Match Day no ZX Specturm. Não havia nada destas parafernálias tecnológicas, de tal modo variadas que um gajo precisa de mestrados em Skylanders e doutoramentos em Invizimals para aprender a dar um murraço na cabeça de um mau qualquer. Ainda para mais, as modas mudam a velocidades estonteantes.
Neste preciso momento, por exemplo, tenho três tipos a arrastarem-se pelo chão da sala à procura de bichos digitais supostamente invisíveis.
Dentro em breve, algum deles irá gritar: "papá!, há aqui uma parte que eu não percebo e não sou capaz de fazer!" É só começar a contagem decrescente:
3...
2...
1...
cá está.
Não é que eu me queria livrar deste género de obrigações. Mas exijo que no contrato caseiro elas sejam muito mais valorizadas do que fazer ovos estrelados ou pôr a máquina da roupa a lavar. É trabalho super-qualificado, é sempre o mesmo desgraçado a fazê-lo, e cada intervenção deve ser equiparada, no mínimo, a passar a ferro três camisas, dois pares de calças e quatro vestidinhos de bebé. A exploração do pai pela criança - com a conivência da mãe - tem de acabar.
Chamem-me João Lobo Antunes
Hoje de manhã estive a fazer isto à Rita:
Quando acabei senti-me perfeitamente preparado para tirar a especialidade de neurocirurgia.
Quando acabei senti-me perfeitamente preparado para tirar a especialidade de neurocirurgia.
Diálogos em Família #5
Avó materna - Ó Carolina, tu tens tanta sorte. Tens dois pais tão bons, que se preocupam tanto contigo. São pais cinco estrelas.
Carolina - Tens razão, avó. Mas se o meu pai tem cinco estrelas, a minha mãe tem de ter seis.
Carolina - Tens razão, avó. Mas se o meu pai tem cinco estrelas, a minha mãe tem de ter seis.
terça-feira, 1 de janeiro de 2013
Feliz ano novo
Acordar às seis da manhã com choro. Reacordar às sete da manhã com gritos. Re-reacordar às oito da manhã com birras. Levantar-me às nove da manhã. Prometer pancada a toda a gente da casa com menos de um metro e meio às dez da manhã. Que bom, a família está de novo reunida. E 2013 está estranhamente parecido com 2012.
Desejo para 2013
Acabei de festejar a passagem de ano com os meus filhos acordados. Desejo (intenso) para 2013: festejar a próxima passagem de ano com eles a dormir.
Subscrever:
Mensagens (Atom)















