terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Before Midnight

Está quase a estrear, o Jorge Mourinha já o viu em Berlim, e eu estou para aqui a morrer de inveja. O Antes do Anoitecer é um dos filmes da minha vida, vivi com o seu poster durante muitos anos no meu quarto, e mal posso esperar para saber o que o trio Richard Linklater, Julie Delpy e Ethan Hawke nos reserva desta vez.





segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Os bebés fazem nódoas

Há pouco estava a lavar os dentes e olhei-me ao espelho (deve ter sido a primeira vez do dia) e tive um baque: "Chiça, eu fui assim para a rua?!?", exclamei para com os meus inexistentes botões. O meu pullover estava completamente emporcalhado, cheio de medalhas que me foram atribuídas pela Ritinha sem qualquer cerimónia oficial. Os bebés são como as lesmas, deixam uma espécie de gosma por todo o lado, e quando estão ao colo basta encostarem a boca sempre babada ao nosso corpo para ficarmos marcados com aquela mistura de saliva e restos de papa e de sopa e de medicamentos e de vitaminas e de sei lá mais o quê. Acho que vou pedir à Teresa que me arranje uma bata de cirurgião, para passar a andar por casa como se um reactor nuclear tivesse explodido na cozinha. A boca da Ritinha é um perigo.


Brincar à ciência #2

Na sequência deste post, aqui fica mais uma experiência muito simples com água, que é fácil de fazer em casa e os miúdos adoraram. Cinco palitos, umas gotinhas de água e já está:


A explicação é simples: a água penetra na madeira dos palitos e estes aumentam de volume fazendo com que as duas partes do palito se desdobrem.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Envelhecer

Eis o meu texto de hoje na revista do CM:

Este é o ano do meu quadragésimo aniversário. Daqui a sete meses dar-se-á a minha gloriosa entrada nos "entas", e dos "entas", como se costuma dizer na minha terra, geralmente já não se sai. Segundo a mais respeitável literatura, é suposto eu vir a ter uma crise da meia-idade e a pôr em causa todo o sentido da minha vida, acompanhando a invasão do cocuruto pelos cabelos brancos (que já começou) e o interesse dos médicos pela minha próstata (que ainda não começou).

Tudo isto preocupa-me num único sentido: poder não estar à altura da situação. Num mundo onde o corpo jovem é tão cultivado e a sabedoria dos velhos tão desprezada (reparem como já pareço um deles a falar), detestaria não saber conviver com as minhas rugas, como aquelas estrelas que começam a coleccionar operações plásticas por não suportarem o seu próprio reflexo. Saber envelhecer é uma extraordinária arte, apenas suplantada pela arte de saber morrer. E deve ser por isso que nos últimos tempos não me sai da cabeça uma belíssima canção da Amélia Muge, construída a partir de versos de Grabato Dias, que diz: "Estar vivo é estar à morte/ cativo de um plim da sorte."

É possível que um pessimista considere tais versos um reflexo da tragédia que é este mundo, e viva na permanente angústia de que um dia a sorte acabe. Mas eu, que sou mais dado a optimismos, entendo-os como uma celebração da vida, essa graça incrível que nos foi dada (pela sorte, por Deus, pelo que quiserem), e que exactamente por ser tão frágil e tão curta convém ser celebrada a cada momento.

O resto do texto pode ser lido aqui. A ilustração é do José Carlos Fernandes.



Gangnam Pocoyo Style

Hoje de manhã a Ritinha teve uma daquelas birras de atirar pela janela, e ainda por cima a Teresa, que tem os melhores argumentos para ajudar a miúda a calar-se, estava fora com os outros três, a tratar da horta da escola (a sério). Às tantas já estava tão farto daquela berraria que tive de recorrer à mais potente arma do universo. Isto, claro:


A Rita esbugalha as pupilas, fica parva a olhar, e começa lentamente a calar-se. Alguém devia estudar os efeitos hipnóticos do "Gangnam Style". Eles existem, de certeza. Infelizmente, o vídeo do PSY tem dois ou três golpes de anca para maiores de 18, e embora os miúdos ainda não percebam porque está o homem tão fascinado a olhar para rabos asiáticos, ao fim do décimo sétimo replay até eu me começo a sentir um bocado mal por lhes estar a mostrar aquilo.

Mas graças a algum deus que me ouviu num momento de desespero, um génio qualquer da animação decidiu colocar o Pocoyo a dançar o "Gangnam Style". O vídeo é engraçadíssimo e permite-me calar as birras da Rita sem ficar com problemas de consciência. Digam-me lá se não é o máximo:


Guardem e aproveitem. Podem vir a precisar.

Bowling para o Tomás

O nosso Tomás quer desesperadamente jogar bowling e desde que fechou o BIL no Parque das Nações e o Funcenter no Colombo ficámos sem alternativas. Alguém sabe onde se pode jogar na região de Lisboa?


Brincar à ciência #1

Há dois anos, depois de passarmos uma fantástica manhã de domingo nos Jardins de Serralves, num dos programas de família que eles oferecem gratuitamente, percebemos que os miúdos não só adoram fazer experiências, como a brincar a brincar vão percebendo o como e o porquê das coisas que fazem parte do nosso dia-a-dia.

Desde então, são eles que se encarregam de me oferecer aos seus professores para ir à escola fazer experiências com a turma. Na semana passada foi a vez da sala do Tomás, e foi novamente uma  emoção. Não perderam pitada e no final fizeram desenhos pormenorizados com todos os passos das várias experiências.



Como estamos nas férias de Carnaval, aqui fica uma experiência super fácil e divertida para fazer com os miúdos.


Depois, é só explicar que as fibras do papel absorvem a água do centro para a periferia (a velocidade depende da textura do papel escolhido) expandindo-o, o que faz com que as folhinhas do nenúfar abram como que por magia. Se o papel do nenúfar for colorido ainda fica mais giro.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

A gravata com que nunca tinha sonhado

Queria aqui dizer que, entre blogue e Facebook, a proposta da minha gravata zip foi completamente desaprovada pelo público feminino, com uma ou duas sugestões encapotadas de "se calhar era boa ideia começares a ler umas revistas de moda antes de vires para aqui com ideias parvas". Peço desculpa pela minha falta de gosto e escassa metrossexualidade, mas não queria deixar de partilhar a sugestão de uma leitora (obrigado, Rute), que me parece ainda mais incrível:


Ora tomem, e agora de novos ângulos:



  Do melhor, hein?

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Calvin cai na real

Calvin & Hobbes é uma das séries da minha vida. O seu criador, Bill Watterson, que vive há décadas na América profunda sem falar com ninguém nem criar nada que se veja, sempre protegeu as suas personagens de forma canina, virando as costas a milhões de dólares ao não dar autorização a qualquer espécie de merchandise (se tiver em casa alguma t-shirt com o Calvin, já sabe, é falsa como Judas). Ainda assim, alguém se atreveu a ser processado e a fazer aqui uma homenagem muito simples: cruzar Calvin & Hobbes com ambientes de imagem real. O resultado é magnífico, e uma óptima maneira de acabar um dia cansativo.










Ah, como eu gosto do Carnaval

Ah, como eu gosto das sexta-feiras antes do Carnaval. Vestir os collants da Cleópatra. Andar a vasculhar que nem um doido o quarto de brincar à procura do único revólver que encaixa no coldre do xerife. Impedir o enérgico mosqueteiro de enfiar com a sua espada no lombo de metade do agregado familiar. Fotografá-los aos gritos para a posteridade. E depois sair de casa com meia hora de atraso. Tanta felicidade dá cabo de mim.


quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

A gravata com que sempre sonhei

Para quem, como eu, passam sempre tremendas vergonhas na hora de fazer um nó de gravata, esta era a invenção com que há muito sonhava.




A gravata zip (é assim que se chama) foi criada por uma marca chamada Actual. Custa 65 dólares e pode ser comprada aqui. As más notícias é que ainda tem de acrescentar 40 dólares para portes de envio para Portugal, o que totaliza uns proibitivos 78,50 euros. A boa notícia é que, com um bocado de jeito, consegue fazer isto em sua casa.

Mas se for cá dos meus e tiver tanto talento para a costura como para o bilhar às três tabelas, ao mesmo tempo que só sabe fazer nós com recurso à internet, então não tem outro remédio senão pôr um preço na sua vergonha e fazer as contas.

Contraceptivo verbal

Escreveu um leitor no meu Facebook:

"Bolas, João! É através das tuas histórias familiares que me arrependo de ainda não ter constituído família. Mas está tudo encaminhado..."

Nós ouvimos as coisas mais estranhas, de facto. Eu sempre me vi como uma espécie de contraceptivo verbal. As pessoas liam e fugiam de filhos e de famílias e de sei lá mais o quê. E agora parece que estou mais próximo do Viagra. Que caraças.


Ainda vais ter saudades

Vocês não imaginam a quantidade de gente que neste blogue - e na vida, já agora - me costuma dizer, após um relato mais acalorado de uma tragédia doméstica, a seguinte frase: "ainda vais ter saudades". Como assim ainda vou ter saudades? Eu não quero vir a ter saudades. Saudades do quê? De não dormir? De mudar fraldas? Da Rita não conseguir apanhar com as mãos os objectos que tem à frente do nariz? Eu não quero ter saudades! O giro de ser pai - e de estar vivo, já agora - é imaginar os desafios que estão pela frente e sentirmo-nos animados por eles. É pegar nos filhos, educá-los o melhor possível, deixá-los ser quem eles quiserem e enfim repousar.

No final dessa hercúlea tarefa (eu sei que a chegada dos netos costuma estragar estas contas, mas não vamos agora pensar nisso), o meu objectivo é voltar para os meus livros, para os meus discos, para os meus filmes, e até para a minha mulher, e viver uma decadência corporal e mental em grande estilo. Se alguém me apanhar, daqui a 25 anos, a suspirar pelos tempos em que eu era pai de quatro putos tão pequeninos como os meus são neste momento, leiam-me este post em voz alta, se faz favor. E acrescentem no final: "Está parvo, o velho."


Programa de fim-de-semana

Que bela ideia que a minha mulher me deu.


Karate Kid 4

O nosso Gui passa a vida a usar o robe sem cinto. São incontáveis as vezes que refilo com ele para apertar o robe e o rapaz nem faz ideia onde o cinto pára. Geralmente encontro-o debaixo do sofá ou entre o colchão e a cama, para não dizer dentro da sanita ou dentro da máquina de lavar-loiça, como já aconteceu.

Este fim-de-semana, depois de mais um salvamento do cinto de dentro do bolso de um casaco que o Gui já não usava há algum tempo, lá lhe fiz novamente a conversa da utilidade de ter o cinto pendurado no robe. Só que daí a pouco encontrei-o assim:


Claro! O pobre cinto havia de ter alguma utilidade óbvia, que não a de fazer aquilo para a qual foi destinado. Ainda lhe perguntei se ele queria parecer o Rambo, mas disse-me logo que não sabia quem era esse (acho que o João em breve tratará de o esclarecer) e que ele parecia era o Karate Kid.

Teve sorte: nesta casa há montes de parvoeiras que são perdoadas desde que venham acompanhadas de uma boa citaçãozinha cinematográfica.