quarta-feira, 20 de março de 2013

Ainda o pesadelo do Dia do Pai

Voltando à história do pesadelo do Dia do Pai, aquilo que me impressiona quando penso nisso é o facto de a parte mais horrorosa do sonho, aquilo que me fez acordar de susto, não foi a Teresa ter seguido a sua vida, não foi ter-se casado com outro homem, não foi sequer ter tido filhos com ele - foi quando ele e ela começaram a ter uma discussão doméstica à minha frente.

O meu inconsciente malévolo esteve particularmente bem nessa parte. Aquilo que me magoou profundamente não foi a abstracção de "um outro homem" ou de "uma outra vida", projecções relativamente comezinhas, que qualquer pessoa já fez. Foi o concreto de uma discussão doméstica, aquelas discussões totalmente estúpidas que só temos com quem amamos ou com quem odiamos, mas que significam invariavelmente que existe uma enorme percurso em conjunto.

E pensando bem, isto é de um extraordinário engenho: eu revelo a minha maior intimidade com uma pessoa não quando vou para a cama com ela mas quando discuto com ela. Sabem que mais? É absolutamente verdade. As pessoas até podem ir para a cama com semi-desconhecidos numa one night stand. O que elas nunca farão é ter discussões idiotas, parvas, irritantes, aquelas discussões que têm escritas no meio da testa muitos-anos-a-virar-frangos-em-conjunto, com quem não conhecem bem.

E é notável olhar para essas discussões não como o resultado de anos e anos de desgaste de uma relação, mas como manifestações de amor. Quão twisted pode ser um pesadelo? Altamente twisted, devo dizer-vos. Eu acordei porque senti um ciúme brutal de uma discussão doméstica. Não do marido dela. Não dos filhos dela. Mas dessa profunda manifestação de intimidade que é permitirmo-nos que a tampa salte com quem vivemos há muito tempo. Foi aí que eu percebi "ela é de outro e não minha". Foi aí que eu percebi que toda a minha vida me fora roubada. E foi aí que eu acordei.

E os cinco vencedores do passatempo O Pai Mais Horrível do Mundo são...


Imaginem o rufar de tambores, e tal. Uns gajos e umas gajas giras a abrirem envelopes. Um pequeno momento de suspense. E eis os grandes vencedores do 1.º Passatempo do Blogue Pais de Quatro. Cada um dos felizes contemplados irá receber um exemplar assinado de O Pai Mais Horrível do Mundo. E eles são:

1. Vítor Cabeça
2. Susana Rosa
3. Patrícia Barbosa Pinto
4. Bruxa Mimi
5. Luísa Duarte Carinhas

Muitos parabéns aos vencedores e muito, muito obrigado a todos os que se deram ao trabalho de participar. Como sou um bocado burro, esqueci-me de pedir para me dizerem no mail a quem queriam que dedicasse o respectivo livro. Tenho as moradas de todos mas falta-me essa preciosa informação. Se me a puderem enviar para paisdequatro@gmail.com ou deixar na caixa de comentários deste post, agradecia.

Entretanto, vencedores e não-vencedores, não se esqueçam que até à meia-noite de amanhã continua em vigor o passatempo do Jardim Zoológico. As participações já aumentaram - por isso, caprichem.

E para finalizar, deixo-vos a imagem do primeiro classificado do passatempo O Pai Mais Horrível do Mundo, que é para vocês verem que há gente que se aplica a sério. Parabéns ao Vítor e ao seu filho Tomás. Pelo Photoshop e pela interpretação. Aquele é definitivamente um olhar de Pai Mais Horrível.

terça-feira, 19 de março de 2013

O sentido da vida

Um miúdo de nove anos discute o sentido da vida. O autor do vídeo, Zia Hassan, jura que nada daquilo foi ensaiado. Eu não imagino a minha filha Carolina a ter uma conversa destas, mas mesmo assim apetece-me acreditar nele.



Passatempo Horrível e passatempo Selvagem

Queria desde já agradecer a todos o entusiasmo com que têm estado a aderir aos passatempos. O do Pai (e da Mãe) Mais Horrível do Mundo está a bombar e termina hoje às 21 horas (apressem-se os últimos candidatos). O do Pai Mais Selvagem já conta com algumas participações, mas está menos concorrido, talvez por o intervalo para enviar fotos ser mais curto e nós estarmos a promover dois passatempos em simultâneo.

Por isso, depois de ter consultado o representante da Santa Casa da Misericórdia (estou a gozar), decidi alargar o prazo do passatempo "O Meu Pai É o Mais Selvagem" em 48 horas, para ficarem com mais tempo para serem Selvagens depois de terem acabado de ser Horríveis. Assim, o prazo para participar no passatempo que dá entradas de borla no Jardim Zoológico de Lisboa a uma família inteira, independentemente do número dos filhos (mesmo que sejam 12, entram todos sem pagar), é alargado até à meia-noite da próxima quinta-feira, dia 21. Aproveitem.

E mais uma foto para inspiração.


Gui, o metafísico

- Papá, quando eu morrer o que é que sinto?

Prendas do Dia do Pai

Depois do horrível pesadelo, vieram as lindas prendas do Dia do Pai.

A do Gui:


A do Tomás:


A da Carolina:


E a da família toda, Ritinha e mamã incluídas:


Sou um sortudo.

O melhor pesadelo do Dia do Pai

Acabei de acordar estremunhado de um pesadelo horrível. Vivia no raio de uma realidade paralela em que eu e a Teresa tínhamos tido em tempos uma relação mas não nos chegámos a casar, e a vida de cada um seguiu para seu lado. Já não me lembro dos detalhes, mas sei que nos voltámos a ver anos mais tarde, por mero acaso, como dois antigos amigos que se reencontram na rua. E a última imagem que retenho, antes de acordar super-angustiado, é de estar à porta de um prédio, a chamar um elevador. Era ali que a Teresa morava, e foi aí que ela se cruzou com o seu marido. E já não sei porquê, começaram a discutir por causa de um assunto doméstico qualquer, comigo ao lado muito caladinho. Também havia um par de filhos, com os quais não me lembro de interagir, que não eram meus mas dele. So fucking creepy!

Eu raramente me lembro de sonhos ou pesadelos, mas neste caso acordei num pulo e com uma sensação horrível de ter passado ao lado de toda a minha vida. Logo eu, que não sou nada sentimentalista nestas coisas. Felizmente, quando olhei para a esquerda tinha um mini-cocuruto a sair do lençol, e a Teresa ao seu lado. Nem sei como é que a Rita foi parar à minha cama, e de um modo geral detesto invasões de filhos em lençol alheio. Mas desta vez não. Que bom eles estarem ali. Eu ando cansadíssimo por causa do trabalho e de mais um bebé, mas imaginar que existia desligado da minha família deve ter sido a coisa mais abominável que me passou pela cabeça nos últimos tempos.

Suponho que este pesadelo tenha sido uma espécie de prenda perversa que o meu inconsciente resolveu oferecer ao meu consciente no dia de hoje: "Estás sempre a queixar-te da família, não é? Então toma lá esta prendazinha onírica: imagina que ela não existia. Ou melhor ainda: imagina que ela existia mas não era tua. Feliz Dia do Pai!"

Chiça. Obrigadinho, ó inconsciente. És um amigo do caraças.


segunda-feira, 18 de março de 2013

Os desenhos animados devem andar a fazer mal à cabeça da minha filha mais velha

- Carolina, pega no telemóvel. A mamã que falar contigo.
- Qual mamã?

Ainda as palmadas

Ainda sobre a história das palmadas a crianças que dominou vários posts deste blogue, como este, encontrei na net mais uma defesa acérrima da tese da não-violência e uma crítica acesa à minha postura trauliteira. Vale a pena lê-la aqui.


Os Croods

A nossa manhã de domingo foi passada a ver isto:


O filme chama-se Os Croods e conta a história de uma família das cavernas que é confrontada com o fim do seu mundo e o aparecimento de uma versão humana mais desenvolvida deles próprios - um miúdo cheio de ideias, que já domina o fogo. O argumento é desequilibrado, mas está cheio de momentos divertidos. Os filhos 1 a 3 gostaram bastante. A filha 4 ficou em casa com os avós, que aos seis meses ainda é demasiado pequena para ir ao cinema. Mais um anito e começamos a iniciá-la nestas lides.

Passatempo Dia do Pai/Jardim Zoológico

Não há fome de passatempos que não dê em fartura. O Jardim Zoológico contactou-nos para promover um passatempo do Dia do Pai, e nós gostámos da oferta: bilhetes de entrada à borla para a família vencedora, num qualquer dia à escolha até ao final de Abril. E isto quer a família seja um pai e um filho ou dois pais e seis filhos (olá, famílias numerosas). Para ganhar, basta enviar uma fotografia subordinada ao tema O meu pai é o mais selvagem. Têm até à meia-noite da próxima terça-feira, Dia do Pai. Venham de lá essas fotos, senhoras e senhores, para o sítio do costume: paisdequatro@gmail.com. Não se esqueçam da vossa identificação e de nos informar sobre o número de filhos. Deixo aqui uma foto para inspiração (mas não façam isto em casa).


domingo, 17 de março de 2013

Agora em vídeo

A TVI fez um simpatiquíssimo vídeo sobre o lançamento d'O Pai Mais Horrível do Mundo, que pode ser encontrado aqui.

Foi ontem!


O lançamento d'O Pai Mais Horrível do Mundo foi uma animação: o Ricardo Araújo Pereira gozou comigo, como se esperava (a tese dele é que o livro é um elogio da austeridade e que, no final, a criança perdoa ao pai austero - o que é um perigo quando transposto para a política portuguesa); eu procurei traduzir a importância que este livro tem para mim, sobretudo por mostrar que a família é o lugar onde as palavras zangadas perdem sempre para os gestos de amor; e o João Fazenda teve a simpatia e elegância habituais, ele que é o verdadeiro alquimista deste trabalho, transformando palavras simples numa obra ainda melhor do que eu estava à espera.

Também tratei de elogiar o Gui, e pedi-lhe desculpa por ele não ser creditado como co-autor (não que ele se importe muito com isso), já que o livro é tanto dele como meu - são, de certa forma, as suas palavras de protesto que ali estão plasmadas. No dia anterior tinha pedido à organização para arranjar uma mesinha pequenina para o Gui ficar no palco, ao lado dos autores (oficiais) e do apresentador, e ele lá ficou, impecável. No final, disponibilizou-se para dar autógrafos, e esteve entretido a assinar (e a gatafunhar) livros atrás de livros.

A sessão foi muito longa, e a única coisa que lamento foi não ter podido dar a devida atenção a imensa gente que teve a amabilidade de se deslocar à Fnac do Chiado. Encontrei algumas pessoas que costumam passar por este blogue (como a SN) e ouvi bastantes palavras simpáticas em relação aos Pais de Quatro. O meu muito obrigado a todos. Ah!, e quem ainda não concorreu e estiver interessado, não se esqueça do passatempo.


O Pai Mais Horrível do Mundo

Eis o meu texto de hoje na revista do CM:

Quando há cerca de dois anos resolvi atrever-me a escrever livros para crianças tinha várias ideias na cabeça, e decidi concretizar três delas praticamente em simultâneo, porque achei que fazia todo o sentido dedicar um livro a cada um dos meus filhos. Entretanto, a minha capacidade reprodutiva mostrou-se superior à minha produção literária, o que significa que já levo um livro de atraso (a Rita ainda aguarda vez, coitada). Mas nem por isso esta semana deixa de ser um marco: com o lançamento de ‘O Pai Mais Horrível do Mundo’ não só fica completa a minha trilogia inicial, como consegui pôr um filho a levitar pela casa, tão inchado de orgulho ele está.

É que este livro é bastante diferente dos outros dois. O primeiro, ‘A Crise Explicada às Crianças’, é dedicado ao Tomás, mas é um falso livro infantil, com um lado de sátira ao estado actual do país que só os adultos apanham e que exige dos pais uma leitura acompanhada. O segundo, ‘Uma Baleia no Quarto’, é dedicado à Carolina e inspirado numa história que inventei em noite de insónias: uma menina birrenta chora tanto que as lágrimas vão subindo no seu quarto até começarem a aparecer animais marinhos. Este livro já é mais próximo da nossa realidade, pois a Carolina teve, de facto, uma fase muito difícil quando era pequena. Só que hoje em dia é uma rijíssima lutadora de taekwondo, e quando ‘Uma Baleia no Quarto’ lhe chegou às mãos irritou-se à brava por o livro traçar dela uma imagem de menina-chorona, na qual já não se revê minimamente.

O que ‘O Pai Mais Horrível do Mundo’ tem de especial é que não é bem uma história inventada, nem sequer um livro sobre o Gui – ‘O Pai Mais Horrível do Mundo’ é o Gui, na medida em que um menino de carne e osso pode ser vertido em papel. O livro tem uma mecânica muito simples: uma criança (o Gui, claro) protesta por o seu pai estar sempre a corrigi-lo, chateá-lo, castigá-lo, a embirrar com ele e a não o deixar fazer o que quer. É o pai mais horrível do mundo, pois claro – mas também o melhor, porque é o seu. E é absolutamente espantoso como o Gui sente que aquele retrato lhe faz justiça. A um ponto tal que já se assume como co-autor do livro. Nos autógrafos à família, ele senta-se ao meu lado, e depois de eu escrever algumas palavras faz um pequeno desenho e assina por baixo: “Gui”. Concentrado e profissional, como um verdadeiro escritor.

A ilustração (bastante presciente, tendo em conta o que foi o lançamento) é do José Carlos Fernandes.


sábado, 16 de março de 2013

É hoje!

E pensar que tudo começou assim
com este esboço do João Fazenda, para a primeira dupla página de O Pai Mais Horrível do Mundo. Logo aí disse para os meus botões "sim!, é isso mesmo!". E o resultado final foi este:


Eu sei que o livro é meu, mas nunca me hei-de cansar de elogiar o maravilhoso trabalho do João, numa história onde o texto jamais resistiria se não tivesse estas magníficas ilustrações a acompanharem-no. Além de que há aqui algo de semi-miraculoso: até hoje o João Fazenda nunca viu o Gui (conto apresentá-los esta tarde), mas conseguiu retratá-lo como se o conhecesse desde o nascimento, tendo como base apenas um par de fotografias manhosas.

Serve o elogio para dizer aquilo que vocês já sabem, mas que eu volto a relembrar. Eu, o João Fazenda, o Gui e a restante família vamos estar esta tarde, pelas 17 horas, na Fnac do Chiado a lançar oficialmente O Pai Mais Horrível do Mundo. A apresentação ficará a cargo do Ricardo Araújo Pereira, que espero que tenha aceite o convite mais pela qualidade do livro do que por ser meu amigo (e do João, já que é ele quem lhe ilustra as crónicas que escreve semanalmente na Visão). Apareçam, se puderem. E se não puderem aparecer, pelo menos concorram ao passatempo, que pode ser encontrado aqui.

Logo à noite vou tentar arranjar um tempinho para vos contar como foi.