quinta-feira, 2 de maio de 2013

Folhas de amoreira procuram-se

Os nossos bichos da seda comem desmesuradamente. Algures no seu desenvolvimento devem ter adquirido uma compulsão alimentar e agora além de sofrerem de obesidade mórbida também estão prestes a levar-nos à loucura porque não conseguimos encontrar folhas de amoreira que dêem vazão ao seu apetite voraz.

Em apenas duas horas, comem seis folhas das grandes. E ainda por cima nove deles são uns egocêntricos e não têm solidariedade nenhuma para com o único bichinho com comportamento alimentar saudável que veio ainda bebé mini-minorca (como diria o Gui) cá para casa e tem imensas dificuldades em conseguir um cantinho de folha para ele.

Uma vez que não queremos acabar com a amoreira do Jardim Fernando Pessoa nem queremos apoiar os preços proibitivos da florista Romeira (que há dois anos vendia uma folha a um euro) alguém sabe de algum mercado onde se vendam folhas a preços troika friendly?


quarta-feira, 1 de maio de 2013

Tomás, o mini-eu

Eis a primeira coisa que o Tomás me disse hoje ao acordar, com o olhar suplicante de Gato das Botas do Shrek: "Hoje não vamos sair de casa, pois não?" O meu filho n.º 2 é igualzinho ao pai: para quê ir lá para fora se há um mundo inteiro cá dentro?


Muito parvo. E muito bom

Uma pequena metáfora sobre individualismo exacerbado:


terça-feira, 30 de abril de 2013

1 milhão de visitas!

O Pais de Quatro atingiu a marca do 1 milhão de visitantes. Tendo em conta que começámos a meio de Dezembro, não está nada mal. Muito obrigado a todos os que se dão ao trabalho de passar por aqui.

Por qué no te callas, ó Balotteli?

Este é Mario Balotelli, o grande bad boy do futebol actual. Eu gosto do Balotelli: para além de ter uma história de vida especial, é grande jogador, imprevisível e bastante maluco, o que é de saudar num desporto cada vez mais feito de jogadores plastificados, que só vão às conferências de imprensa dizer que é preciso respeitar o adversário, que o mais importante é a equipa e que é preciso levantar a cabeça. Balotelli não alinha. E toda a gente (excepto os seus treinadores) adora desalinhados.



Apresentado Balotelli, importa agora apresentar a nova namorada de Balotelli, Fanny Neguesha, uma modelo belga sobre a qual ele disse: "é a primeira mulher com quem me sinto confortável". Tendo em conta que as modelos com quem ele andou davam para fazer vários desfiles da Moda Lisboa, esta pode ser entendida como uma comovente mensagem de amor.



A relação entre os dois parece, portanto, ir de vento em popa, ao ponto de ela até já partilhar momentos de grande intimidade no Instagram:


Bonito. Mas não se assustem, que este blogue não se tornou subitamente cor-de-rosa. Toda esta história tem um motivo, que são estas declarações de Mario Balotelli: "se o Real Madrid [NR: para quem não acompanha o futebol, o Real perdeu na Alemanha com o Borussia por 4-1 na primeira mão das meias finais da Liga dos Campeões] conseguir passar esta eliminatória, deixo que a minha namorada durma com todos os jogadores". Ah. Ah. Ah. (Gargalhada seca.)

Graças a esta frase tive ontem uma enérgica discussão na redacção da Time Out. A rapaziada do meu trabalho estava toda animada a comentar as declarações do jogador italiano, como quem celebra a mais recente manifestação de absurdo balotelliano. E eu, estranhamente, acabei a fazer a figura do avozinho, que é uma coisa que sempre me aflige. Se calhar sou eu que estou a ficar quadradão, mas sempre lidei mal com objectificações neanderthais de mulheres.

Se essa objectificação for voluntária, ou seja, se ela partir (livremente) do lado da mulher, eu não tenho nada contra. No meu entendimento, cada um tem o direito a fazer com o seu corpo o que bem lhe apetecer, seja prostituir-se ou fazer de bibelô em anúncios de automóveis. Se a frase do Balotelli fosse "a Fanny disse-me que estava doida por papar o plantel inteiro do Real Madrid, e eu disse-lhe que por mim tudo bem, desde que eles ganhem ao Dortmund", eu não teria nada a objectar. Era vontade da Fanny e o gang bang é uma actividade muito democrática.

O meu problema com a frase de Balotelli é que a Fanny não disse nada. E ao não dizer nada, Balotelli aparece na comunicação social a oferecer a namorada, como se ela fosse propriedade sua. Há quem ache divertido, há quem ache que é uma simples piada - mas eu, que me rio de tanta coisa, e que me honro de ser um gajo muito pouco susceptível, neste caso pendurei o meu melhor sorriso amarelo.

Rir de alguém que está a oferecer aos outros a sua mulher é sempre ficar do lado daquele marialvismo bacoco que tem dificuldade em olhar para o sexo feminino sem as lentes da subserviência. Eu escutei argumentos como "afinal, é mulher de um jogador de futebol" - e todos nós sabemos que as mulheres dos jogadores de futebol são um bando de gajas indistintas a querer dar o salto na horizontal e sempre doidas por pinar com qualquer caparro musculado, não é?

Muitas delas até podem ser. Mas isto é como Abraão a interceder por Sodoma: ainda que só haja um justo na cidade, ele não merece ser confundido com os outros. Generalizações e objectificações no que diz respeito a seres humanos são coisas mesmo muito feias. E tratar alguém como se não tivesse existência e vontade próprias dá-me cabo dos nervos. O Balotelli até pode ser o maior. Mas naquele caso foi um grande parvalhão. Ele que peça desculpa à Fanny e não volte a repetir. Ou então que ofereça o seu próprio traseiro para divertimento do balneário do Real Madrid.


segunda-feira, 29 de abril de 2013

Quem foi o gajo que inventou os bichos da seda?

Como se não bastasse ter de arrastar quatro putos até ao litoral alentejano, num monovolume com malas até ao tecto, eis que a nossa última viagem em família foi acompanhada de uma caixa de sapatos furada. Com o quê lá dentro? Eu sei que vocês já adivinharam. Sim, bichos da seda.


Eu adorava bichos da seda quando era pequenino. Mas entretanto aprendi a odiá-los, desde que se tornou obrigação dar-lhes hospedagem doméstica a cada Primavera. Primeiro, era só em casa. Mas agora também já fazem excursões: eis a nossa simpática família de 10 bichos da seda, em pleno Zmar. Ainda bem que eles foram introduzidos clandestinamente na nossa Zvilla - de outra forma, cobrar-nos-iam a estada.

E pergunta o caro leitor muito inteligentemente: mas por que raio foram vocês acartar com uma dezena de lagartas para o Alentejo? Boa pergunta. Fomos acartar com lagartas porque sexta à tarde já não havia mantimentos para os bichos, que são muito dados ao alimento. Donde, não os pudemos deixar à míngua durante dois dias inteiros. E assim, na sexta-feira, antes de sairmos de Lisboa, a excelentíssima esposa e o excelentíssimo esposo tiveram de andar à cata de folhas de amoreira, já com os putos todos enfiados no carro.


Ora, eu percebo tanto de árvores como de bilhar às três tabelas (minto: percebo mais de bilhar às três tabelas), de modo que preciso sempre de ser assistido nessa nobre tarefa de descobrir que raio é uma amoreira, antes que envenene os bichos com uma folha de qualquercoiseira. Felizmente, a excelentíssima esposa não só parece ter descoberto o que era uma amoreira após investigar o assunto (nem imaginam como acho isso admirável), como vislumbrou um espécimen perdido a um quarteirão da nossa casa.

Claro que quando chegou a altura de atacar a folha da única amoreira na zona da Avenida de Roma, adivinhem a quem coube a tarefa? Ah, pois. E então, estava eu em pleno processo de gamar folhas de amoreira, já juridicamente indeciso se aquilo era legal ou não (ó juristas que visitam o Pais de Quatro: a malta pode roubar folhas a árvores públicas ou incorremos num qualquer delito?), quando sou verbalmente atacado por uma senhora muito velhinha, acabada de sair de um prédio vizinho da maltratada amoreira.

E a senhora velha começa logo a queixar-se, brandindo a bengala. Que as pessoas estragavam a pobre amoreira, que aquilo era uma vergonha, coitadinha da árvore, tão raquítica e tantas vezes transformada em banco alimentar. Eu pedi imensa desculpa e tentei confundir a velhinha com um paradoxo existencial: está bem que a árvore não gosta que lhe tirem as folhas, mas se as folhas não lhe forem tiradas, do que é que se alimenta um bicho da seda? O que vale mais aos olhos da Deus: uma família de bichos da seda famintos ou uma amoreira aliviada de uma dúzia de folhas?

Mas já se sabe: as velhinhas, embora com certa queda para a filosofia, não são muito dadas a este género de reflexões. Razão pela qual ela se afastou a resmungar e a chamar-me nomes. Resultado: como se já não me bastasse ter a casa invadida por bichos vegetarianos e bulímicos, ainda vou ter de passar por humilhações sempre que for à procura de comida para eles, espreitando por cima do meu ombro, a ver se não me aparecem mais senhoras velhas. Se ser pai de quatro já é lixadíssimo, por que raio tenho ainda eu de andar a criar lagartas? Que caraças. É que no meio de tanta gente e de tanto bicho, quem está a precisar mais de construir um casulo sou mesmo eu.

Zmar e a marca do Z

Um leitor perguntou-me a opinião sobre o Zmar - cujo pomposo subtítulo é "eco campo resort & spa" -, já que estava a pensar lá ir. Nós dormimos no Zmar, uma enorme herdade ecológica ao lado da Zambujeira, duas noites, de sexta para sábado e de sábado para domingo, e dada a dimensão do nosso agregado familiar e a mobilidade limitada da Ritinha não podemos propriamente andar de um lado para o outro. Mas, de um modo geral, diria que fiquei desiludido, sobretudo pela relação qualidade/preço.

Foi a Teresa que marcou as noites e que se lembrou do Zmar (os miúdos tinham pedido "um fim-de-semana na natureza"), por não ficar demasiado distante de Lisboa. Na verdade, este "não demasiado distante" é só mesmo no mapa: demorámos mais de duas horas a chegar lá, tanto como se tivéssemos ido para Portalegre ou para Albufeira. Quando se larga a autoestrada e se começa a circular no litoral alentejano, as estradas deixam muito a desejar. Ainda por cima, as indicações do site eram manhosas e chegámos já alta noite à nossa Zvilla: uma casa de madeira de 40 metros quadrados com capacidade para seis pessoas (um quarto de casal mais outro quarto com dois beliches).


Ao acordar, a vista era esta. Nada mal.


Mas apesar da qualidade da vista, da beleza do espaço (embora faltem ainda árvores), da piscina de ondas (só faz ondas durante dez minutos a cada hora, mas são boas ondas) e do parque infantil (do qual os miúdos gostaram muito, sobretudo por causa dos três slides), não há justificação para o preço: 180 euros por noite para a nossa Zvilla, com pequeno-almoço incluído, o que significa que só a estadia ficou por 360 euros. O quarto não o justifica, o pequeno-almoço ainda o justifica menos, e quando vamos somando extras o preço ainda fica mais absurdo.

O almoço sai por 14 euros para cada adulto e 8,5 euros para crianças entre os seis e os 10 anos. A comida que se oferece em troca disso, no enorme restaurante onde também se toma o pequeno-almoço, é uns bifes grelhados na hora, umas entremeadas, umas postas de peixe ou umas pizzas em forno de lenha, tudo feito na hora, mas sem serviço à mesa. No final, agradecem que coloquemos os tabuleiros nos carrinhos, para alegadamente poderem "manter os preços". Mais quais preços? Aqueles preços?

Pois é: quando se constrói um empreendimento auto-sustentável, não deveria ser para explorar os clientes como se estivessem num hotel de quatro estrelas. Não se paga 14 euros por pessoa para comer de bandeja. Não faz sentido alugar bicicletas a sete euros se as bicicletas estão a cair de podres (só eu tive de trocar duas). Nem se cobra valores de época alta para depois se acrescentar que o arborismo e o tiro com arco (extras que deveriam estar disponíveis) afinal só começam em Maio.

Divertimo-nos? Divertimos. Mas os preços precisavam de uma reduçãozita de 40% para ficarem de acordo com o que valem. Assim, pensei muitas vezes no Z, de facto. Mas no Z de Zorro, não no Z de Zmar.

É tão bom, não foi?

É tão giro sair de casa à sexta-feira para um fim-de-semana a família. E tão chato regressar a casa no final do dia de domingo. Está sempre tudo tão inevitavelmente atrasado, que o stress que libertámos em 48 horas regressa todo em 48 segundos. Felizmente, sobram as fotografias, para memória futura. E nas fotos nós estamos sempre a sorrir.



domingo, 28 de abril de 2013

O que fica do que passa

Ilustração de José Carlos Fernandes

Eis o meu texto na revista de hoje do CM. Talvez um pouco mais melancólico do que é habitual:

Eu e a excelentíssima esposa comemorámos recentemente o 11º aniversário de um incansável matrimónio, e decidimos que era a ocasião perfeita para mostrar às criancinhas o filme do nosso casamento. O clássico “vídeo do casamento” é aquele género de actividade com a qual se maltrata as visitas durante meia-dúzia de meses após a lua-de-mel, com as pobres vítimas obrigadas a gramar com uma hora de vestidos de cerimónia, trocas de alianças e cascatas de camarão, enquanto suspiram para a ex-noiva dois ou três educados “ai que bonita estavas”. Passados seis meses, existe o saudável hábito de arrumar o DVD numa prateleira poeirenta, permanecendo em piedosa hibernação até que um dia um qualquer arqueólogo o venha resgatar.

Desta vez, os arqueólogos fomos nós. A Teresa guarda nas doces memórias de infância o filme do casamento dos pais, que pelos vistos rodou em sua casa como se fosse um daqueles musicais da Broadway que nunca saem de cena. Vai daí, prometeu mostrar aos miúdos o filme do nosso próprio casamento precisamente 11 anos depois de ter sido filmado. Como é óbvio, preparei-me para o pior, até porque não há guarda-roupa que resista a exercícios de nostalgia. E, de facto, lá estava eu, muito bem escanhoado (ainda não usava barba na altura), com um penteado ridículo, uns óculos de totó e um casaco tão comprido que dava para toalha de mesa. Os dois rapazes ainda se riram um bom bocado com a minha figura, até decidirem sabiamente que era muito mais giro irem jogar computador do que ficar a ver a versão teen do pai. E saíram da sala.

Permaneceu a Carolina, já mais dada a bodas e a romantismos, e permaneci eu e a minha excelentíssima esposa, de boca aberta não por causa da nossa antiga beleza, mas por causa da quantidade de gente que está naquele vídeo e que entretanto morreu. São muitos. São demasiados. A Carolina estava fascinada com os primos, que hoje são adolescentes e que então eram muito mais pequenos do que ela. Mas eu e a Teresa só víamos passar à frente da câmara pessoas que foram tão importantes na nossa vida e que já cá não estão, uma, duas, três, cinco, algumas delas ainda relativamente jovens e que hoje são como espectros longínquos, fantasmas de um tempo que se perdeu para sempre. “É tudo tão frágil”, disse-me a Teresa. E é mesmo. Tanta coisa nasceu ali. E tanta coisa se perdeu entretanto.

sábado, 27 de abril de 2013

Um fim-de-semana com muitos Z

Como anexo às suas prendas de aniversário, a Teresa pediu disponibilidade (da minha parte) para um fim-de-semana em família. Por isso, desde ontem e até amanhã, vamos andar pela Zambujeira do Mar. Mais precisamente, aqui:


sexta-feira, 26 de abril de 2013

Hoje é dia de festa

Hoje, a senhora desta foto faz 38 anos.


Tem sido um prazer envelhecer ao seu lado.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Maldita consciência

Uma das sete maravilhas do mundo é acordar e poder pegar num livro. Aconteceu-me hoje, dia da Liberdade: fingi dormitar, deixei a Teresa ir tomar conta da filharada e do respectivo pequeno-almoço, e fugi para as páginas do novo e maravilhoso livro de crónicas do Manuel António Pina (Crónica, Saudade da Literatura). Até que à segunda crónica li esta frase, alegadamente saída dos manuais de Filosofia de um tal prof. Bonifácio:

O mundo é a casa dos rapazes, a casa é o mundo das raparigas.

Chiça. Lá tive de me levantar da cama e ir ver se a Teresa precisava de ajuda.


quarta-feira, 24 de abril de 2013

Self-made alface

A escola do Bairro de São Miguel é um óptimo exemplo de sucesso da escola pública. Como o Tomás e a Carolina têm a sorte de estudar lá, nós esforçamo-nos por participar no que podemos para melhorar as condições físicas da escola e enriquecer as actividades educativas dos miúdos.

Este ano uma das ideias mais interessantes foi criar uma horta biológica num espaço abandonado da escola, que foi dividido em 16 pequenos talhões: um para cada turma. O projecto foi concretizado com a ajuda das famílias dos alunos, e além de ter propiciado um convívio óptimo entre todos, tem feito muito pela educação ambiental e ecológica de pais e filhos. Não faz sentido nenhum que haja miúdos a achar que as ervilhas nascem em latas e as alfaces nos sacos dos supermercados. Com uma iniciativa tão simples, é vê-los agora preocupados com a reciclagem dos lixos e interessados na compostagem para poderem melhorar o crescimento das culturas que têm feito.

Ontem foi dia de colheita na turma da Carolina e coube-me a mim ir apoiar os miúdos, para a horta conseguir sobreviver a tamanho entusiasmo. Alfaces, rabanetes, couve portuguesa, grelos, ervas aromáticas - cada um levou um produto para casa. À Carolina coube uma alface que ela exibiu orgulhosamente e fez questão de lavar e preparar para o jantar. E, segundo ela, foi a mais saborosa que já comeu até hoje.





terça-feira, 23 de abril de 2013

Um domingo na Kidzânia

A Kidzânia contactou o Pais de Quatro com um convite para a família ir lá experimentar uma nova iniciativa a que eles deram o nome de "Pais Bem-Vindos", que se realiza no segundo domingo de cada mês. Achámos que valia a pena aceitar o convite, por duas ordens de razões, para além da razão "entrar à borla" (o bilhete de família da Kidzânia também é daqueles que só contempla dois adultos e duas crianças, além de ter de ser comprado online, o que significa que se uma família como a nossa se apresentar no Dolce Vita Tejo vai deixar nas bilheteiras 19,50€ x 3 + 10€ x 2, o que totaliza uns astronómicos 78,50€). As duas ordens de razões são estas:

- Somos clientes relativamente regulares do espaço e temos em casa um trio de putos fanáticos da acumulação de kidzos (o kidzo é a moeda da Kidzânia), que mais ou menos de dois em dois meses começam a pedir freneticamente para lá voltar.
- Gostávamos realmente de experimentar a iniciativa, porque a ideia é que no tal segundo domingo de cada mês os pais possam participar em imensas actividades com os seus filhos (nem todas, atenção! - não vão poder na mesma aprender a fazer pizzas nem hambúrgueres), e queríamos perceber se os miúdos preferem ter-nos ao seu lado ou não.

O sinal que está à porta das actividades onde os pais podem entrar é este:


E a primeira coisa que nos lembrámos de fazer foi de ir bater à porta do Continente:


Mas não para ir às compras, atenção. Foi para ir trabalhar - e logo na peixaria. Eu fiquei com o Gui. E como se pode ver pela imagem em anexo, foi um cargo que exerci com grande responsabilidade e ponderação. (A verdade é que sempre sonhei ser o Ordralfabetix.)


Depois da peixaria subi rapidamente na vida e decidi dedicar-me ao automobilismo, desta vez com a Carolina. Incrivelmente, o número do carro que me coube em sorte era o do ano do meu nascimento. "Isto é bom sinal", pensei eu. (Por favor, descontem a pose duvidosa desta foto.)


E, de facto, coube-me arrancar na pole position, qual Ayrton Senna.


Infelizmente, consegui ser ultrapassado por todas as crianças que estavam em competição, terminando em último lugar. Tudo por causa de problemas no motor e na caixa de embraiagem.


A mamã também andou metida em divertidas actividades com os seus filhos, nomeadamente na reciclagem de papel.


A Rita estava incluída no grupo, e dedicou-se à reciclagem do plástico. Eu ainda propus reciclagem de birras, mas tristemente não se fazia.


Mas onde a Rita acabou por se divertir mais foi no espaço dedicado aos mais pequeninos.


E depois daquela visita, qual a conclusão? Vale a pena pôr os pais a fazer as actividades com os filhos ou não? Bom, eu diria que depende. Depende da personalidade, mas depende sobretudo da idade. Se tiver crianças ainda pequenas e um bocadinho tímidas e as quiser levar à Kidzânia pela primeira vez, os segundos domingos de cada mês podem ser uma excelente opção. É a melhor forma de entrar em imensos sítios deixando as vergonhas à porta.

Mas se, por outro lado, tiver miúdos mais velhos e despachados, dos seis anos para cima, esqueça: eles preferem andar sozinhos, sem os pais atrás. Afinal, a Kidzânia é isso: simular em grande estilo uma cidade dos grandes para os mais pequenos. Se os pais andam atrelados, perde-se metade da graça. É apenas melguice materna ou paterna. Ou pensam que é por acaso que a Carolina quase não aparece nas fotos? Mal podia, pisgava-se a grande velocidade e a dizer "bye bye, vejo-vos daqui a uma hora". Para ela, o mais giro da Kidzânia é mesmo os papás ficarem à porta. E, bem vistas as coisas, tem toda a razão.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Razões pelas quais o filho dele está a chorar

Por manifesta deselegância da minha parte e o constante atropelamento das minhas horas livres pelas quatro rodas domésticas, não agradeci ainda este post que o já muito citado e sempre grande Malomil teve a amabilidade de dedicar a este blogue. A referência é obviamente imerecida e só se deve à extrema boa educação do seu autor, mas o site que ele refere no post, Reasons My Son Is Crying, é a terceira vez que me é aconselhado por amigos ou conhecidos no espaço de 15 dias.

Tamanha coincidência deve significar que o mundo acha que ele tem tudo a ver com este blogue (de um modo geral) e comigo (de um modo particular). Como é óbvio, o mundo tem inteira razão. A ideia é simples: um pai decidiu registar fotograficamente (com as fotos apenas apoiadas em pequenas legendas) todos os motivos pelos quais o seu filho está a chorar. E infelizmente, o seu filho, como todos os filhos, quase nunca está a chorar por boas razões. O resultado é cruel, mas muitíssimo divertido. Eis alguns exemplos: