domingo, 30 de junho de 2013

Miss Rita at the pool

Depois de na semana passada ter sido eu a ir depositar os filhos ao Alentejo, coube agora à Teresa ir buscá-los. Eu fiquei em Lisboa a trabalhar (versão minha)/ a descansar (versão da excelentíssima esposa). E como sempre acontece nas raras ocasiões em que a família se divide, já fui inundado de fotografias vingativas, do género: "ai quiseste ficar em Lisboa?, repara no que estás a perder, palhaço". E aquilo que eu perdi desta vez foi o primeiro banho de piscina da Rita, como podem verificar em baixo. Snif, snif.

A primeira foto captura-a em pose de estrela de Hollywood, a fingir uma falsa naturalidade, preferindo fixar o fora de campo em vez da câmara, como quem diz: "há mais na minha vida para além do brilho dos holofotes". Reparem também na subtileza do product placement dos boiões de fruta da Compal, uma das suas sobremesas de eleição, ao mesmo tempo que enverga um fato de banho do estúdio de cinema com o qual mantém relações privilegiadas. Tudo é pensado até ao mínimo detalhe, como só os grandes profissionais do star system são capazes de fazer:


A segunda foto captura-a em pose de estrela de Hollywood a simular uma comunhão com os elementos telúricos da natureza, como quem diz "sou uma mulher linda, mas ainda assim simples", um clássico da temática bucólica característica do Romantismo:


Apesar da indesmentível sofisticação dos enquadramento, peço desculpa pela miserável qualidade das fotos. Tal deveu-se ao facto de ter manifestamente faltado à equipa o apoio técnico do gajo que é o responsável pelos ALCTB (Aparelhos que Lá em Casa Têm Botõezinhos), e que conseguiria com certeza, e sem grande esforço, retirar do equipamento uma definição superior à dos telemóveis de 1998.

sábado, 29 de junho de 2013

Peço desculpa, senhora filha

Na semana passada os dois filhos mais velhos estiveram em casa dos avós paternos, no Alentejo. A Carolina, vá-se lá saber porquê, viu-me com o meu novo look de Verão no Governo Sombra (que passa às 11 da noite, mas tentemos esquecer esse pormenor - sobretudo porque a minha mãe, quando eu tinha a idade dela, me obrigava a ir para a cama religiosamente às 21 horas).

Ó pra mim tão lindo

Bom, mas o que interessa para aqui é que às tantas apita o meu telemóvel, com a seguinte mensagem vinda da Carolina: "Tu cortaste o cabelo sem a minha autorização?" Pumba. Assim. Só isto. Parece que me esqueci de enviar o requerimento de desbaste capilar para despacho à minha gestora de imagem. Que eu nem sequer sabia que existia.

Um grande "oh, oh", é o que é. A minha filha só tem nove anos e já está igual à mãe. Todas me detestam ver com o cabelo pequeno. Eu até percebo: quanto mais pêlo e cabelo a taparem-me a fronha feia mais bonito fica o mundo. Mas podiam ao menos disfarçar. Um bocadinho, vá.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Contra a depressão

Para chamar a atenção para os problemas da depressão, uma agência de publicidade de Singapura teve esta ideia extraordinária, em que a inversão de uma mensagem de felicidade revela aquilo que está escondido. Há mais anúncios em forma de ambigrama além deste que aqui fica retratado, mas nenhum outro é tão eficaz. Genial.


A mensagem da campanha é: "The signs are there if you read them. Help us save a life before it's too late." Acho que qualquer um de nós, infelizmente, se pode identificar com ela.

Mais detalhes aqui.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Os arquivos do Gui

E por falar no Gui, ontem ele chegou orgulhosíssimo a casa com o seu dossiê dos trabalhos que fez na escola durante todo o ano lectivo. Eu e a Teresa tivemos de amochar 40 minutos no sofá enquanto víamos cada trabalho um a um, devidamente comentado, com reflexões elaborados sobre o conteúdo e as técnicas utilizadas. De entre os trabalhos que me dizem respeito, estes são os meus favoritos.

Eis como o Gui me descreveu à sua professora:


Gosto sobretudo da parte de eu ser giro e magro. E este é um incrível desenho a carvão da minha pessoa. Ó pra mim tão lindo:


Querida, estiquei os miúdos

Vocês já alguma vez foram invadidos pela sensação de o vosso filho ter crescido durante a noite? Há sempre aquela ideia de que nós, porque passamos a vida ao seu lado, não notamos que eles crescem a não ser pela roupa que vai deixando de servir. Mas hoje de manhã olhei para o Gui e ia jurar que alguém entrou no seu quarto enquanto todos dormiam, puxou-lhe pela cabeça e pelos pés, e ele já não voltou ao normal. Hoje de manhã olhei para ele e estava um trinca-espinhas com mais dois centímetros (pelo menos), um ponto de exclamação virado do avesso, com as suas perninhas muito altas e da largura do meu pulso.

Bom, mas também é verdade que acordei às quatro e meia da manhã. Posso perfeitamente estar a alucinar.


terça-feira, 25 de junho de 2013

O ballet da Rita

Como infelizmente a Rita não pôde ir ver os Monstros (só porque não deixam menores de três anos assistir a sessões de cinema no ECI, o que é uma verdadeira injustiça, no caso da nossa mini-cinéfila), lá foi obrigada a ficar em casa. Mas também teve direito à sua sessão de diversão.

A minha irmã mais nova, que vive na Irlanda, emprestou-nos este fantástico bouncer, muito popular por lá, mas até agora a Ritinha não sabia aproveitar as suas potencialidades e limitava-se a baloiçar para um lado e para o outro ao ritmo dos nossos empurrões. Padecendo de uma rara preguicite aguda, a menina Rita é mais dada a boleias de adultos do que a esforçar-se por se deslocar sozinha, e por isso, sempre que baloiçava no bouncer, não se dava ao trabalho de pôr os pés no chão para dar os seus próprios impulsos.

Mas isso acabou este fim-de-semana, e agora é vê-la num autêntico ballet, com os seus delicados pés a fazer toda a espécie de pliés, enquanto vai praticando a sua algaraviada de bebé reguila.

Un...

...deux...

...trois!

Três exames e uma ida à Universidade

Este sábado, depois de uma radical entrega de cintos de taekwondo (com três horas de demonstrações de esgrima lusitana, sequências de taekwondo e exames de cinto preto capazes de roubar um enérgico kihap ao mais molenga ser vivo do universo), os nossos fantásticos taekwondistas voltaram para casa em perfeita harmonia de cinturas: agora temos um cinto verde, um cinto camuflado e um cinto verde-Tiny Tiger (por ordem decrescente de graduação e idades) a enriquecer o agregado familiar.


É claro que, terminada a cerimónia, cada um comentava no carro o que mais os marcou, de acordo com as suas personalidades: a Carolina sonhava alto como irá ser fantástico o seu exame de cinto preto; o Tomás lamentava a sorte da senhorita que quase desmaiou em pleno exame, tal era a intensidade dos exercícios e da ansiedade, apesar de ser uma exímia praticante desta arte marcial;  já o Gui não parava de se admirar no vidro do carro com a sua fantástica faixa para a cabeça, a que só os Tiny Tigers tiveram direito, e que ele há tantos meses ansiava e já tantas vezes fantasiara com os mais variados materiais.

Para festejar com pompa e circunstância fomos directamente para o cinema ver o Monstros: A Universidade e, para não destoar, em vez de pipocas levámos hosomakis e nigiris de salmão para matar a fome. As expectativas eram altíssimas, pois os Mendonça Tavares pertencem aos milhões de fãs da Pixar, mas apesar de ser difícil não saber a pouco e de não haver no filme nenhuma nova personagem à altura da inesquecível Boo, a improvável amizade dos simpáticos Mike e Sulley fez-nos ganhar o dia.


segunda-feira, 24 de junho de 2013

Exploração infantil

Vários problemas logísticos ocorridos no dia de hoje (poupo-vos aos pormenores) obrigaram a D. Rita a ir parar ao meu trabalho, de forma a afundar mais um bocadinho a produtividade nacional. De qualquer forma, foi uma presença marcante e cheia de estilo, embora ligeiramente macambúzia. Guardou os sorrisos todos para si, mas em nenhum momento lhe deu para as birras, o que já não é mau. Foi uma menina pacífica e antipática, exactamente como o pai. Aqui está ela no seu posto de trabalho a ouvir Seu Jorge:


E aqui está ela a mostrar o seu desagrado pela minha demora em sair da Time Out, com o típico olhar de Bambi, que faz sempre imenso sucesso:


As certezas do brilhante amor

José Carlos Fernandes

Eis o meu texto de ontem na revista do CM:

O recente debate sobre a co-adopção permitiu que nos confrontássemos com os nossos valores mais profundos: o que é uma família?, o que entendemos por “lei natural”?, qual o verdadeiro interesse superior da criança? São questões fundamentais, que merecem uma boa discussão. E por isso nesse debate eu estive – e estou – convictamente do lado da aprovação da lei, que me parece um caso elementar de direitos humanos, valorizando relações afectivas já existentes em detrimento de preconceitos antinatura.

Este não é o local certo para avançar com demorados argumentos filosóficos e políticos, mas é o sítio certo para reflectir sobre a perplexidade que sempre me acompanhou ao longo deste debate: ver os opositores da co-adopção por homossexuais defenderem, com absoluta certeza, que a família perfeita – a única, no seu entender, que assegura o crescimento equilibrado de uma criança – é aquela que replica a estrutura da família tradicional, sugerindo que tudo o que se afasta desse cânone é disfuncional ou, pelo menos, desaconselhável.

Como por esta altura o caro leitor já saberá, encontrar uma família mais tradicional do que a minha não é tarefa fácil. Eu não só sou um monogâmico praticante com quatro filhos, como namoro com a mesma mulher desde 1992, tinha eu uns ridículos 18 anos e ela nem isso. Mas o facto de me ter casado com a minha primeira namorada, e de até hoje me considerar muito feliz com essa decisão, não me faz andar por aí a pregar que esse é o único, nem necessariamente o melhor, caminho para a felicidade.

O orgulho que sinto pela minha família, e a felicidade que, apesar de inúmeras confusões e frustrações, sinto no seio dela, dá-me para a gratidão – não para a imposição. Eu agradeço a todos os santinhos a imensa sorte que tive, mas não me passa pela cabeça achar que existe uma fórmula fechada para se construir uma família equilibrada ou que as certezas sobre o meu mais brilhante amor são facilmente extrapoláveis.

Nós vivemos ainda numa extraordinária ignorância sobre o funcionamento da nossa cabeça e sobre a matéria de que são feitos os nossos sentimentos. E por isso, tenho para mim que a atitude mais sábia é manter uma permanente modéstia e seguir o conselho de Santo Agostinho: “Ama e faz o que quiseres.” Este deveria ser o primeiro artigo de todas as leis da República. E esta é a única certeza que aqui deixo.

domingo, 23 de junho de 2013

Socialismo mamário

Foi um texto da Carla Hilário Quevedo na revista do jornal Sol que me chamou a atenção para mais esta extraordinária notícia oriunda da Venezuela. Tendo em conta os debates que já aconteceram neste blogue a propósito da amamentação, acho que vocês vão gostar, caros leitores. A notícia foi retirada do site do Público, aqui. Parece que o socialismo já chegou às mamas. Ora vejam:

O Governo da Venezuela, liderado pelo Presidente Nicolás Maduro, quer tornar a amamentação obrigatória. A proposta de lei que apresentou à Assembleia Nacional e que começa a ser discutida na terça-feira visa incentivar as mulheres a darem o seu leite aos filhos e limita a publicidade a leites para bebés.

A oposição considerou que há aspectos muito positivos na proposta de lei mas deixou duas críticas. Em primeiro lugar, não se trata de uma campanha de sensibilização para que os venezuelanos percebam a importância do leite materno mas sim de um acto coercivo. Segundo, como disse a deputada da oposição Dinorah Figuera, "é lamentável que se mate uma lei com uma péssima declaração".

Figuera referia-se às palavras da deputada Odalys Monzón (do Partido Socialista Unido, no poder), que disse que o laço que se estabelece entre a mãe e o recém-nascido no acto da amamentação está em risco por culpa das "multinacionais que vendem fórmulas [lácteas]".

Numa entrevista ao canal público de televisão, Monzón, que é vice-presidente da Comissão da Família do parlamento, sublinhou que "todas as crianças devem ter direito à amamentação" e foi ao ponto de dizer estar de acordo com a proibição dos biberons se isso ajudar a implementar esse hábito.

As organizações feministas venezuelanas criticaram duramente as declarações da deputada; outros sectores da opinião pública (os jornais, por exemplo) troçaram das suas palavras. Mas a lei vai ser discutida e votada, tendo o Partido Socialista Unido da Venezuela maioria na Assembleia Nacional.

O projecto de lei altera 18 dos 33 artigos da actual legislação e prevê sanções muito severas para os que violarem as regras da publicidade de leites e papas para crianças até aos seis meses. Estes, diz a lei, devem beber leite materno "excepto quando há outra indicação médica".

"O mais importante é o amor, que às vezes se perde porque falta esse calor que é transmitido quando se amamenta o bebé", disse a deputada que foi uma das protagonistas da pancadaria que ocorreu no parlamento de Caracas no dia 30 de Abril — 11 deputados ficaram feridos e Monzón foi identificada como tendo sido a pessoa que agrediu a deputada da oposição Maria Corina Machado, que teve que ser operada devido a uma fractura no nariz.

Olhada de uma forma mais lúcida, a nova legislação enquadra-se numa série de medidas do Governo de Nicolás Maduro para aplicar a "soberania alimentar" prevista pela Revolução Bolivariana e Hugo Chávez, o Presidente que morreu no início deste ano. A crise económica e a escassez de produtos tornou a aplicação dessa "soberania" (que não é mais do que a procura da auto-suficiência em relação aos bens alimentares de primeira necesisdade) mais urgente — o Governo está a ser obrigado a gastos astronómicos para importar alguns produtos.

Já com outro discurso, e citada pelo El País, a presidente da Comissão da Família do parlamento, María León — ex-ministra de Hugo Chávez — disse que é preciso "consciencializar a população" para os benefícios que o leite materno tem para os recém-nascidos e que pode ser dado às crianças até aos dois anos. León sublinhou que a lei obrigará as multinacionais do ramo que operam na Venezuela a criar horários compatíveis para as mães que amamentam.

A proposta prevê a criação de bancos de leite e estabelece multas pesadas para hospitais e maternidades que não cumpram as regras e suspensões para os clínicos.


sábado, 22 de junho de 2013

Metáfora animal

Eu sei que isto pode parecer um vídeo sobre um cão pachorrento e um gato frenético, mas na verdade é uma excelente metáfora sobre a minha vida doméstica. Adivinhem quem é o cão e quem é o gato.


quinta-feira, 20 de junho de 2013

Os bebés e eu

Ainda a propósito deste post, queria apenas contestar o comentário da Ana Rute Oliveira Cavaco: "Epá, mas à parte isso, é tudo tão mais fácil quando eles são bebés...". Eu ouço imensos defensores dessa tese, sobretudo pessoas mais velhas que me dizem: "um dia ainda vais ter saudades". Percebo perfeitamente a ideia, mas acho que vocês não compreendem bem o meu problema com bebés que choram descontroladamente: é que eu começo mesmo a passar-me.

Ao pé de algumas experiências twilight zone que já tive, por exemplo com o Tomás, a Ritinha é uma santa de altares. Claramente, nos últimos dias estava com problemas na zona das dentolas, e agora que já tem quatro incisivos a apanhar ar voltou a ser uma gaja porreira. Mas quando os bebés choram ininterruptamente noite dentro e nós não os conseguimos mesmo calar, eu fico doido. Mas doido à séria. Começo a sentir uma vontade de serial killer de lhes enfiar uma meia na boca para que parem de chorar. Já me aconteceu mesmo, em noites de absoluto desespero, ter de me afastar para não os magoar - o que significa, provavelmente, que tenho um grave problema psicológico e que deveria ir à procura de tratamento médico. Mas como entretanto ainda não matei nenhum e já vou em quatro, deixo o psicanalista para mais tarde.

Um dos motivos - aliás, o principal - porque comecei a escrever sobre a família e a queixar-me dela, há coisa de cinco ou seis anos, foi porque me era incompreensível a unanimidade de um discurso cor-de-rosa sobre a paternidade quando eu não estava a achar graça nenhuma à coisa. Portanto, se algum dia eu tiver saudades de quando eles eram bebés, reabram o Júlio de Matos e metam-me lá dentro, se faz favor. Eu não acho piadinha nenhuma a bebés, e só poderei achar no dia em que achar também que sou o Napoleão.

Vamos lá ver: se vocês me encontrarem na rua com a Rita, a gente até se pode estar a divertir. Eu brinco com ela cá em casa, e atiro-a ao ar, e faço-a a rir, e sou um pai brincalhão. Ela até quer vir para os meus braços, imaginem só. Mas quando faço o somatório de "os prazeres" versus "as secas", garanto-vos que "as secas" ganham por larga margem. Daí eu dizer tantas vezes que o primeiro ano e meio de vida de um miúdo é morder a língua e esperar que passe depressa.

Até porque a Rita será, com certeza, a não ser que o mundo comece a girar ao contrário, a minha última filha, eu esforcei-me desta vez para ser mais atento e contemplativo do estado bebé. Resultado? Bom, acho que sim, e tal, foi um bocadinho mais giro. Eh pá, mas continuo a não gostar na mesma. Há imensa gente que gosta, e até tenho gente na família com imenso jeito para quando eles são bebés e pouco jeito para quando são crianças. Mas eu sou o exacto oposto disso. Portanto, não, não vou ter saudades de quando eles eram bebés, pelo menos enquanto não padecer de Alzheimer.

Vou certamente ter saudades de quando eles eram crianças, de quando eles tinham três ou cinco anos, de quando eram pequeninos e andavam às minhas cavalitas, de quando inventavam uma nova língua vagamente parecida com o português, de imensos momentos de felicidade que ficam registados (às vezes falsificadamente, mas isso é um outro assunto) nas fotografias que tiramos. Agora, para mim, não é fácil, nunca foi fácil e nunca será mais fácil "quando eles são bebés".

Mesmo que esta gaja seja tão gira, como manifestamente é, vai ficar infinitamente mais gira aos meus olhos daqui a seis mesinhos. No presente, damo-nos bem, há umas trocas de olhares, pinta um clima de vez em quando. Mas, ainda assim, jamais a convidaria a vir viver para minha casa.

Mãos ao ar, bebé insuportável!

terça-feira, 18 de junho de 2013

O companheirismo do Gui

Pedi ao Gui para entreter a Rita um bocadinho enquanto eu lhe preparava o banho. Dois minutos depois estavam os dois a trocar olhares cúmplices e a brincar em silêncio... dentro do berço da Rita! Nem fazia ideia de que o Gui lá cabia. O Gui brinca sempre de igual para igual, e por isso é uma espécie de Rapaz-Elástico: com a Carolina e o Tomás estica-se para parecer um homem crescido, à altura da maturidade dos manos; com a Rita encolhe-se para perceber o que é que a ela mais lhe interessa e a faz feliz. Grandes lições de amizade para uns quantos crescidos apologistas do show off...



Desafio do surf - a sequela

Para quem quer conhecer a sequela deste post, posso garantir que teve final feliz, para repouso dos corações maternos e paternos. O Tomás veio assim do surf:


Ou qualquer coisa parecida com isto, porque esta foto já é antiga (hoje em dia ele tem bastantes menos dentes na boca). A prova disso mesmo é que esta manhã ele estava impossível, como sempre acontece quando entra em modo excitex. Falava tão alto que conseguiu acordar os dois irmãos mais novos, tentou explicar-me como é que se fazia o "take off" (?) em cima da cama, e nunca mais escutei um pio sobre querer ficar em casa nos próximos dias. Além de que já vinha com bronze de surfista - e foram só as primeiras oito horas...

Quanto à Carolina, claro. Foi absolutamente estupenda, espantosa, maravilhosa, já se conseguia colocar sozinha em cima da prancha, correu grandes perigos, apanhou ondas incríveis e está quase a assinar um contrato profissional com a Billabong.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

A angústia do segundo filho antes de experimentar uma coisa nova

Terminada a escola, a Teresa lembrou-se de meter os dois miúdos mais velhos a aprender surf durante uma semana. Eu, que só conseguiria manter-me em cima de uma prancha se fosse amarrado com cordas, achei uma excelente ideia. Carolina, a Destemida, achou uma ideia excelente, e aproveitou para rever o havaiano Lilo & Stitch - se bem a conheço, aposto que dentro da cabeça dela já se imagina a surfar a maior onda do mundo com Portugal inteiro a aplaudir. Já o senhor Tomás anda há três semanas angustiado e a dizer que não quer ir. Em relação a ele, é sempre preciso utilizar os melhores métodos de persuasão do Dr. Phil para o convencer a fazer essa coisa super-maluca e mais ou menos impensável chamada... "experimentar".

O Tomás tem horror a tudo aquilo que se afasta do seu campo de segurança e vive no pavor constante de ser gozado e não estar à altura das expectativas dos outros - mesmo quando os outros não têm quaisquer expectativas a seu respeito. O seu medo de falhar toma proporções avassaladoras e convencê-lo a tentar colocar um pé fora da sua zona de conforto exige a energia de uma central nuclear. Após 20 dias a convencê-lo, a Teresa lá o foi levar há coisa de uma hora ao carro que os transportará para a Costa da Caparica. E desde então estamos os dois com o coração nas mãos, porque nunca sabemos como regressará o Tomás: se tristíssimo e cabisbaixo e a dizer que nunca mais volta e que não é capaz de se pôr em cima da prancha e que todos gozaram com ele; se absolutamente fascinado com o mundo do surf e a querer saber tudo sobre fatos de mergulho, fibra de vidro e ondas gigantes. Para ele, raramente há meio termo.