domingo, 24 de fevereiro de 2013

10 razões para ter filhos

O texto que saiu na revista do CM de hoje começou neste blogue, nos comentários a um post, quando uma leitora me perguntou por que tive eu tantos filhos, se me queixo (e me canso) tanto de ser pai. É uma boa pergunta. Eis algumas das razões:


Há dias, uma leitora, farta de me ouvir resmungar, fez-me esta pergunta: se eu me queixo tanto dos miúdos, se eles me dão cabo da cabeça e me tiram tanto tempo, por que raio decidi eu tê-los, e ainda por cima logo quatro? E de repente, percebi que nunca respondi cabalmente a esta importantíssima questão. Porquê?, de facto. Vai daí, decidi alinhavar 10 razões para ter filhos, como penitência por estar sempre a dar razões para não os ter.

1. A razão ontológica. Ser ou não ser não é para mim uma questão. Sófocles escreveu que o mais feliz dos seres era aquele que nunca tinha nascido. Faulkner escreveu que entre a dor e o nada, escolhia a dor. Eu voto em Faulkner. Mil vezes ser do que não ser. E nascer é fazer ser.

2. A razão estóica. Há um lado olímpico em ter muitos filhos. Eles testam os nossos limites e são um desafio permanente às nossas capacidades físicas e mentais. Não sou capaz de saltar à vara nem de correr a maratona. Mas criar quatro putos dá uma abada a tudo isso.

3. A razão ulrichiana. Numa civilização acolchoada, sem guerras nem catástrofes, o pessoal tende a amolecer e a confundir chatices com tragédias. Ter muitos filhos sintoniza-nos com a máxima do banqueiro Fernando Ulrich: “Ai aguenta, aguenta.” Que remédio.

4. A razão romântica. Quando se ama alguém, os desejos do outro contam. Se a felicidade da minha mulher passa por ter uma família grande e se a minha felicidade passa pela felicidade da minha mulher, então a minha felicidade passa por ter uma família grande. Chama-se a isto “propriedade transitiva”. É muito importante na matemática. E no amor.

5. A razão revolucionária. Citando o sábio Tiago Cavaco na luminosa canção “Faz Filhos”: nos nossos dias “constituir família é a suprema rebeldia”. Ambos partilhamos a fé neste verso: “Conquistas fabulosas através das famílias numerosas.”

O resto das razões podem ser encontradas aqui. A ilustração, como sempre, é do José Carlos Fernandes.



Um cartoon para domingo #2

Desde o final de Calvin & Hobbes, nenhuma tira é tão boa quanto Mutts, de Patrick McDonnell, na sua mistura de pequeno humor e grande sabedoria.


Diálogos em família #10

- Avô, tu podes dar tau-tau ao teu filho?
- Porque é que tu queres que eu dê tau-tau ao meu filho, Gui?
- Porque só os papás é que podem dar tau-tau aos filhos. O meu papá está sempre a dar-me tau-tau. Não podias dar tu tau-tau a ele?

sábado, 23 de fevereiro de 2013

500 000

Hoje, acertando em cheio na festa dos nove anos da Carolina, aconteceram neste blogue duas coisas importantes, que vale a pena comemorar. Chegámos aos 1000 comentários publicados e ultrapassámos a barreira das 500 000 visualizações. Para um blogue que só arrancou há dois meses e meio, é obra. Para todos os leitores que encontram na partilha da nossa vida suficiente motivo de interesse para nos vir visitar regularmente, um grande obrigado.


Sonhos de índia

Como a festa dos nove anos da Carolina é hoje, a nossa casa está tão cheia como o sambódromo em noite de Carnaval. Avós, madrinhas, tias, montes de gente a vir da província para celebrar os anos da rapariga, que isto ainda é uma família à moda antiga. Embora a casa seja grande, as camas não chegavam para todos, e a Carolina teve de dormir no chão do quarto de brincar. Disse "no chão"? Qual chão. Na tenda. A Carolina dormiu numa incrível tenda de índio.


Ela adormeceu contentíssima. E a criança que há em mim ficou ligeiramente invejosa.

Coisas para as quais só mesmo a minha excelentíssima esposa é que tem pachorra

Hoje acordei e a mesa da sala estava assim:


Esta fabulosa linha de montagem de bolinhos e prendinhas tem uma razão: a festa dos nove anos da Carolina é esta tarde, em Sintra. E enquanto eu dormia (perdão, enquanto eu tomava conta da Ritinha no nosso quarto), a Teresa levou com certeza a noite toda nisto. O amor de mãe é uma coisa bué linda. E assim um bocadinho avariada, como todos os grandes amores.

Eu Seguro

O grande Samuel Úria tem um novo disco, chamado O Grande Medo do Pequeno Mundo, e dele consta a melhor canção monogâmica da história da música portuguesa. É um dueto com Márcia, que já tem teledisco e tudo, para se poderem deliciar:


E para os mais líricos e meditativos, aqui fica a extraordinária letra:

Eu Seguro

Quando o tempo for remendo,
Cada passo um poço fundo
E esta cama em que dormimos
For muralha em que acordamos,
Eu seguro
E o meu braço estende a mão que embala o muro.

Quando o espanto for de medo,
O esperado for do mundo
E não for domado o espinho 
Da carne que partilhamos,
Eu seguro.
O sustento é forte quando o intento é puro.

Quando o tempo eu for remindo,
Cada poço eu for tapando
E esta pedra em que dormimos
Já for rocha em que assentamos,
Eu seguro.
Deixo às pedras esse coração tão duro.

Quando o medo for saindo
E do mundo eu for sarando
Dessa herança eu faço o manto 
Em que ambos cicatrizamos 
E seguro.
Não receio o velho agravo que suturo. 

Abraços rotos, lassos,
Por onde escapam nossos votos.
Abraso os ramos secos, 
Afago, a fogo, os embaraços
E seguro,
Alastro essa chama a cada canto escuro.

Quando o tempo for recobro,
Cada passo abraço forte
E o voto que concordámos
É o amor em que acordamos,
Eu seguro:
Finco os dedos e este fruto está maduro.

Quando o espanto for em dobro,
o esperado mais que a morte,
Quando o espinho já sarámos
No corpo que partilhamos,
Eu seguro.
O que então nascer não será prematuro.

Uníssonos no sono,
O mesmo turno e o mesmo dono,
Um leito e nenhum trono.
Mesmo que brote o desabono
Eu seguro,
Que o presente é uma semente do futuro.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Em defesa da honra (e do pijama)

A propósito disto e do comentário sobre eu ter ficado de pijama em frente ao computador, vinha, em defesa da honra, declarar duas coisas:

1. Eu não quero estar para aqui a dizer que a Carolina gosta mais da mãe do que do pai, embora até goste, como eles gostam todos, o que só prova que têm bom gosto. A questão é que pai e mãe servem, na cabeça deles, para coisas diferentes. E, na verdade, não é só na cabeça deles: servem mesmo para coisas diferentes. Por isso é que somos uma família. A certa altura, colocou-se a hipótese de o Tomás ir também ao almoço, mas entretanto ele ficou em casa com febre. E a partir desse momento, não se duvide que a Carolina iria infinitamente preferir mais um almoço a dois, só com a mamã, do que a três. Porquê? Porque um almoço com a mamã é um almoço de mulheres, coisa que ela quase nunca tem, e que obviamente adora. Se eu lá estivesse era um almoço com os pais - o que não é, de todo, a mesma coisa. Aliás, a post da Teresa só demonstra como eu sou espertíssimo e tenho razão.

2. Quando se diz "de pijama à frente do computador" mais parece que um tipo fica em casa a ver gajas nuas na internet ou os mais recentes telediscos da Sónia Araújo em loop. Ora, estar "de pijama à frente do computador", para aí em 97% do meu tempo, significa... espera, como é que é mesmo a palavra?... aquela coisa que muitas vezes é chata de fazer mas que tem mesmo de ser feita... ah, já sei: trabalhar! É isso. Chama-se "trabalhar". Foi o que o palerma aqui ficou a fazer em frente ao computador, de pijama, em vez de estar a enfiar o dente nas pizzas do Lucca - a trabalhar. É verdade que também estive a ver os mais recentes telediscos da Sónia Araújo. Mas isso é porque tenho um trabalho giro.


A maioridade da Carolina

A nossa Carolina fez ontem nove anos. Há um mês que não falava noutra coisa e ansiava por este dia como se fosse fazer 18. No fundo, para ela os nove são os 18 da infância. Assim uma espécie de infância adulta:

- Ó mamã, ninguém liga ao que diz uma criança de oito anos. Mas a uma de nove já ligam.

Para manter a tradição fomos almoçar ao Lucca, mas desta vez fomos só as duas. O João disse-me que achava que ela preferia assim (e eu achava que ele preferia ficar de pijama à frente do computador) e lá fui buscá-la à escola no intervalo do almoço. Foi um almoço apetitoso e um apetite de almoço: conversas de crescidas, confidências, trocas de números de telemóvel (foi a sua prenda, mais por necessidade dos pais), planos para o futuro... Será que ela vai ter nove muitos anos? Acho que vou ter saudades toda a vida.



quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Canções para crianças? Está bem, está...

A Sónia Araújo lançou um projecto infantil intitulado "Sónia e as Profissões", que invadiu o Canal Panda. A primeira canção a sair para a rua chama-se "A professora", e apresenta a Sónia de rabo de cavalo, óculos de massa e saia pelo joelho.


A segunda canção chama-se "O bombeiro", e nela a Sónia interpreta uma espécie de bombeira, que embora não chegue a pegar na mangueira para combater o fogo, usa calças muito colantes, ombros de fora e um sorriso convidativo (tudo coisas típicas de bombeiro).


Estou capaz de apostar que os pais das criancinhas vão começar a interessar-se imenso pelo Canal Panda. Professora boazona de óculos de massa e bombeira ágil e cheia de curvas? E a seguir vem o quê? A mulher polícia com algemas e a padeira enfarinhada? Ó meus amigos. Isto não são canções para pôr crianças a cantar. Isto são canções para pôr os fétiches sexuais dos papás a tilintar. Se bem me recordo, até já vi uns filmes com personagens muito parecidas. E não eram para maiores de quatro anos.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

A Crise chega à Grécia

OK, a crise já chegou à Grécia há muito tempo. Mas a minha crise ainda não tinha chegado. Chegou agora, através das páginas de uma publicação local, que dedica quatro páginas ao meu primeiro livro (mais ou menos) infantil, A Crise Explicada às Crianças. Não faço patavina de ideia do que lá esteja escrito, mas o alfabeto grego é tão bonito que não resisti a vir para aqui vangloriar-me.


Decoração de interiores à Gui

Ia a sair de casa e voltei atrás para partilhar com vocês a mais recente intervenção do Gui na decoração da nossa sala, da qual ainda não me tinha apercebido. Fica mesmo a matar, não fica?


Obama cumprimenta Gui

Impressionadíssimo com o conteúdo deste post, Barack Obama apanhou o Air Force One e veio cá a casa cumprimentar pessoalmente o Gui, agradecendo o seu esforço tão prematuro para se vir a tornar o futuro presidente dos Estados Unidos da América.

O Gui ficou extremamente feliz por conhecer Obama e o fotógrafo oficial da Casa Branco registou o momento para a posteridade. Aqui está ele:


terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Descontos por bom comportamento

Através do óptimo blogue da minha amiga João, cheguei a um blogue do New York Times dedicado aos assuntos da parentalidade, que por sua vez me remeteu para um blogue chamado Consumerist. Todo este frenesim internético deve-se a esta óptima história: um restaurante americano ofereceu no final da refeição um desconto a uma família pelo simples facto de as crianças se terem portado bem durante a refeição.


A ideia pode ser discutível, mas parece-me um gesto bem simpático, que ajuda a confortar aqueles pais que tantas vezes se sentem acossados por olhares de reprovação em restaurantes mais finórios. Só espero que não lhes dê para agravar a conta em 10% se por acaso tiverem de levar com alguma birra em cima durante uma refeição...

O boneco favorito da Rita

A propósito deste post acabei por descobrir que a girafa de borracha que a Rita tanto adora é um sucesso mundial.

A girafa Sophie foi carinhosamente oferecida à Rita, quando ela nasceu, pelo professor de inglês dos miúdos, regressado de umas férias em França. Na altura percebi que a girafa era fabricada artesanalmente no sul de França e a sua composição à base de borracha era 100% natural. Não fixei mais do que isso, mas a girafa passou a ser uma companheira da Ritinha desde que nasceu.


Qual não foi o meu espanto quando dei com a Sophie numa das cenas do filme Três Homens e um Bebé (um filme de 1987), enquanto me tentava manter acordada numa das minhas últimas madrugadas. Resolvi pesquisar e percebi que a pequena girafa já tem mais de 50 anos (nasceu em 1961!) e a sua produção artesanal é preservada desde o seu nascimento, o que faz dela um dos poucos brinquedos mordedores para bebés sem ftalatos, PVC, retardantes da chama ou chumbo... os grandes inimigos tóxicos dos pimpolhos em crescimento.


Velhinha, mas uma boa amiga da Ritinha!