segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Gui a caminho da Casa Branca

Inspirada pela folia do Carnaval, a Carolina resolveu fazer dos manos seus modelos e desatou a pintá-los segundo a sua imaginação.

Perguntou ao Gui o que ele queria parecer:

- "Quero ser um senhor rico que joga no bingo", disse ele.

E esta foi a obra da Carolina:


Nada mal, achei eu (pontos extra pelo bigode enrolado, que para ela só os ricos se podem dar ao luxo de ter) - não fosse a tinta ter-se metido entre os dentes e as gengivas, o que me deu um trabalhão a remover.

Mas a obra-prima do dia só apareceu horas mais tarde, quando todos já estavam lavadinhos e bem cheirosos. Tomado pela mais desvairada criatividade, o Gui resolveu esconder-se na casa de banho. Algum tempo depois, fazia a sua entrada fulgurante.


A avaliar pela imagem podem adivinhar o rasto que deixou atrás de si. Da toalha da casa de banho aos interruptores da luz, passando pelas portas brancas, as provas do crime estavam por todo o lado.

O Gui só não apanhou mais do que um ralhete porque a sua justificação para a pintura facial-radical recebeu nota máxima por parte do júri:

- "Só queria parecer o Barack 'Obana'", disse ele.

Cá em casa o Barack Obama é o maior, e se é para chegar a presidente dos Estados Unidos, convém realmente começar por algum lado. Nós preferíamos que fosse pela parte de dentro da cabeça, mas o Gui preferiu começar pela parte de fora.

E no final não faltou sequer a pose presidenciável, feita de propósito para a câmara.


É um profissional, este Gui. Digam lá: está ou não está parecido?

Quem és tu?


Eis o meu texto de ontem na revista do CM:

Vocês já foram assaltados pela sensação de não conhecerem os próprios filhos? Eu sei que esta pergunta tem ressonâncias pouco simpáticas, porque geralmente o “eu não te conheço!” é o corolário de uma asneira do tamanho do Mosteiro dos Jerónimos. Pode ser um filho que chega a casa com os copos. Ou uma filha que é apanhada a fumar às escondidas. Mas, como imaginam, os meus ainda são muito novos para me proporcionarem esse género de surpresas. E por isso, não é de decepções que quero aqui falar, mas do seu contrário. É chegar a uma festa de anos e o pai do aniversariante dizer: “O seu filho portou-se maravilhosamente, comeu tudo sozinho.” Isto quando em nossa casa é preciso sermos nós a enfiar-lhe a sopa pela goela abaixo se queremos que o jantar acabe antes do nascer do sol. “Que bem-educado que ele é”, acrescenta o dono da casa. E nós pensamos para com os nossos botões: “Ai é?”

Em 1927, um senhor alemão chamador Werner Heisenberg formulou o hoje famoso princípio da incerteza, que de forma muito simplificada diz que para conhecer a posição exacta de um objecto é necessário que um instrumento de medição interaja com ele, e que essa interacção acaba por alterar a posição que queremos encontrar em primeiro lugar. O princípio de Heisenberg é sobretudo útil no estudo de partículas subatómicas, mas eu acho que essa incerteza também pode ser estendida a volumes bastante superiores, como eu ou o caro leitor, e à relação dos pais com os filhos. Chamemos-lhe (modestamente) o Princípio da Incerteza do Tavares: “Para conhecer um filho é necessário observá-lo, e quando ele está ao pé de nós é uma outra pessoa.”

O resto do texto pode ser lido aqui. A ilustração é do José Carlos Fernandes.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Retrato da minha manhã de domingo


Passei a manhã no meio disto, mas infelizmente não foi a brincar. A Teresa arregimentou-me para ir ajudar a pôr os Playmobil em ordem. As espingardas dos cowboys estavam nas mãos dos vikings, as armas dos cavaleiros estavam a ser utilizadas por pacíficos agricultores, uma espada poderosa estava perdida no meio do presépio e sobretudo o furacão Katrina (ou seja, o Gui) tinha passado por cima da prisão dos Faroeste e da respectiva diligência, deixando destroços um pouco por todo o quarto.

Para um espírito metódico e coleccionista como eu, ver aquele caos é uma dor de alma. Mas tentar pôr ordem em dezenas de bonecos sem as caixas originais é quase tão difícil como controlar o défice da república portuguesa. Acho que vou começar a tirar fotografias das caixas antes de as mandar para o lixo e guardar tudinho numa pasta do computador. Às tantas é impossível um gajo saber se determinado capacete pertence aos vikings, aos cruzados ou aos cavaleiros dos dragões. E daqui a 20 anos isto pode perfeitamente valer uma pipa de massa no eBay. Há que pensar no futuro e, de caminho, exigir um mínimo de rigor histórico às brincadeiras dos miúdos.

Passatempo para domingo

Há por aí fanáticos de filmes de acção? Então ponham a vossa cultura geral à prova com isto: que filme corresponde a cada uma das letras (os nomes são em inglês, claro)?


sábado, 16 de fevereiro de 2013

Goodnight sweetheart, well it's time to go...

A Rita dormia muito bem. Isso era antes de eu ter começado a trabalhar, e antes de o seu nariz ter ficado mais congestionado do que a Segunda Circular em hora de ponta, devido ao ataque das últimas maleitas respiratórias cá em casa. Resultado: voltei a precisar da companhia da televisão, como precisava nos primeiros meses da Rita para não adormecer enquanto a amamentava.

Numa das últimas madrugadas apanhei no Canal Hollywood o início do filme Três Homens e um Bebé e voltei a rir à grande (desta vez em surdina) com as peripécias dos três solteirões Tom Selleck, Steve Guttenberg e Ted Danson, a tentarem desesperadamente tomar conta de uma bebé.


Algumas cenas pareciam ter sido filmadas cá em casa com o resmungão do João, que não se cansa de se queixar das suas obrigações de pai, sobretudo para com a Rita, mas que não resiste aos seus sorrisos e fica deliciado com as suas gracinhas. Consigo imaginá-lo na pele do Tom Selleck, a colocar uma grande fralda para incontinentes à pequena Mary; na do Steve Guttenberg, a tentar chantageá-la com dez dólares para parar de chorar; ou na do Ted Danson, aos gritos porque depois de a ter deixado em cima da cama sem fralda ela resolveu deixar uma prenda malcheirosa nos seus lençóis.

Mas a cena que me ficou foi a dos três de joelhos a tentar adormecer a bebé a meio da noite, cantando amorosamente a música "Goodnight Sweetheart Goodnight". Resolvi aproveitar a dica e ultimamente tenho-a cantarolado à Rita. Infelizmente, acho que deve funcionar melhor com a voz do pai. Vai ser giro cantá-la com o João uma noite destas, durante uma das birras da Rita.


Difícil, claro, vai ser conseguir acordá-lo.

Grande mesa

É uma pena a mesa ser tão feiinha, porque este mecanismo sci-fi daria taaaanto jeito na sala da minha casa:


Claro que é coisa super-barata. A marca - DB Fletcher Designs - é inglesa e uma mesinha destas não costuma ultrapassar os... 50 mil euros.

Parabéns, pá!

Primeiro, o papa abdicou. Depois, caiu um meteorito na Rússia. Agora, a Ana anunciou que vai ter um filho. O mundo está louco.

Se queres guarda-nocturno, paga

A minha filha mais velha anda a atravessar uma nova fase de terrores nocturnos, que combinada com a fase de terrores diurnos, nocturnos, saturnos, uranos e neptunos da Rita (desde que o nariz se lhe entupiu faz mais birras do que os maquinistas da CP fazem greves) produz ali uma rapsódia de solicitações domésticas infanto-juvenis de pôr a cabeça em água ao mais dedicado dos pais - quanto mais a mim.

Se com a Rita não há outro remédio senão aguentar e esperar que passe, a Carolina, pelo menos, já está aberta a ameaças e chantagens, actividades que alegremente pratico com fins educativos. Por isso, ao fim de uma semana a ter que me deitar ao seu lado, informei-a de que passava a cobrar cinco euros (o valor da sua semanada) por cada vez que tivesse de ficar com ela até adormecer. Ela bem argumentou que aquilo era uma chantagem inadmissível, que culpa tinha ela de ter medo, mas eu disse-lhe para se ir queixar à polícia. Cinco euros ou nada feito.

Na primeira noite ainda optou por pagar. Mas ontem o capitalismo já falou mais alto. "Cinco euros é muito dinheiro", disse-me ela. "Pois é", concordei eu. "Tu és mau." "Pois sou." "Mas tu tens quase nove anos", acrescentei. E em menos de dois minutos a Carolina estava a dormir.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

The Sleeping Dad

Sabem aqueles tipos que descobrem que estão a ficar velhos quando deixam de aguentar noitadas e começam a ter dificuldade em recuperar das ressacas? Eu sou um desses, mas com os filhos a fazerem a vez do vodka e do gin tónico. Graças a esta recta final do Inverno, tenho apanhado umas brutas pielas de crianças nas últimas noites e mal me mantenho em pé. E isto não era assim há quatro anos, quando o Gui tinha a idade da Rita. Estou a ficar velho, senhoras e senhores. Ainda não como carne humana, mas tirando isso pareço um zombie a arrastar-se pela casa muito devagarinho, com o cérebro a processar a 10% da sua capacidade - The Sleeping Dad, estão a ver?



quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Monsters University

A única coisa que me mete mais medo do que uma sequela é uma prequela, sobretudo quando é no maravilhoso legado de Monstros & Companhia que se está a mexer. À medida que a Pixar (vénia, vénia) vai ficando com menos ideias e deixa de fazer obras-primas (Carros 2 e Brave são filmes giros, mas não mais do que isso), a solução mais à mão é ir buscar os velhos sucessos e espremer mais um bocadinho, a ver se ainda sai leite. Este é o próximos opus da companhia, e acaba de ser lançado o seu trailer mais longo até à data. Avaliem por vocês (eu e mais cinco pessoas cá em casa - sim, com sorte também incluo a Ritinha - vamos ver de certeza quando estrear em Junho):

Quiz doméstico

Esta fotografia é:

a) A calçada de Lisboa depois de uma trovoada.
b) A cozinha depois de ter rebentado um cano do lava-loiças.
c) A casa de banho depois de os meus três filhos terem pedido para tomar banho de imersão.


Vocês já sabem a resposta, não é?

As minhas noites andam bué fixes

Decoração de interiores patrocinada pela Associação Nacional das Farmácias.


quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Então foi isto

A propósito deste post, um leitor perguntou simplesmente "então?". É uma boa pergunta. Então foi isto: uma birra de duas horas da Rita, a mãe a jantar fora de casa, a irmã mais velha cheia de medo de ficar sozinha no quarto, enfim, um serão extremamente agradável. As parvoeiras dos mais velhos eu consigo aturar com maior ou menor dificuldade. O meu problema é mesmo com a Rita. Um bebé a chorar mais de cinco minutos dá completamente cabo de mim. Não consigo explicar. É uma coisa física. Tenho de repetir dez vezes para mim próprio "odeio bebés, odeio bebés, odeio bebés", morder-me todo para não lhe enfiar um tabefe naquelas mini-bochechas, e imaginar que daqui a um ano já passou. Foi assim com todos eles. Até acho que estou mais calmo e contemplativo com a Rita, divertimo-nos muito quando ela está bem disposta, mas quando as birras começam eu compreendo perfeitamente a dificuldade que o Bruce Banner tem em controlar o Hulk. Também eu fico com um animal a querer sair de dentro de mim. Só me falta mesmo ficar verde e rebentar com o guarda-roupa.

Os exercícios matinais da Rita

Caros colegas bebés a caminho dos seis meses:

Qualquer um de nós que se queria manter saudável deve começar mais ou menos por esta altura a tentar virar-se na cama e abandonar aquela postura extremamente aborrecida que consiste em estar o tempo todo de papo para o ar, que nem um nababo. Todos nós já conhecemos de cor os tectos das nossas casas, não é verdade? Pois bem, para alguns bebés mais ociosos e pouco dados a exercício físico, deixo aqui uma série de movimentos que eu pratico todas as manhãs, que isto da banha e do colesterol é para ter cuidado desde pequenino.

Começamos por nos posicionar ao centro da cama, para evitar que a moleirinha se espete contra o soalho. Por esta altura a nossa tola ainda é bastante elástica, mas convém não abusar da sorte.


De seguida, levantamos as pernas como se fôssemos fazer uns fantásticos abdominais. A ideia é ganhar o necessário impulso para aquilo que se segue.


E o que se segue é isto: um rápido movimento de rotação do corpo para a esquerda que tem de ser feito com o máximo de convicção, ou de outra forma não conseguiremos sair do lugar.


Se o impulso for bem dado, rapidamente chegamos à nossa posição de destino, que nos permitirá apreciar as linhas elegantes do aparador do quarto dos nossos pais ou qualquer outra peça de mobiliário de vossa casa, em vez dos desinteressante e monótonos tectos, que costumam ser branco sobre branco, como o quadro do Malevich.


Os bebés mais afoitos podem tentar a rotação completa do corpo, mas antes dos seis meses eu não aconselho, porque é extremamente difícil retirar o braço esquerdo debaixo da nossa pança. Isso exigirá ainda muita dose de papa, que por enquanto ainda me falta no bucho e na musculatura. Portanto, o que há a fazer é insistir na posição.


Cá está. Insiste, insiste, insiste, insiste mais um pouco, para desta forma começarmos a despertar certos músculos do nosso corpo ainda com pouco uso. É esticar bem, é esticar bem, vamos lá a isso.


E ao fim de cerca de 30 segundo de exercício em posição lateral, podemos descansar, regressando à nossa posição inicial.


Para os mais corajosos, depois de um breve descanso, é voltar a tentar, agora para o outro lado.


E pronto, é isto, espero que tenham gostado. E para concluir deixo-vos com uma das máximas do meu papá João: um bebé saudável fica menos insuportável.