terça-feira, 11 de dezembro de 2012

A últimas 15 horas da minha vida (versão corrigida pela esposa)

19.00 - Chegar a casa depois de ir buscar os três filhos mais velhos. Dar-lhes banho e vesti-los com a Rita pendurada no canguru, porque ela está impaciente. Preparar as roupas para o dia seguinte.
19.45 - O esposo chega a casa e pragueja porque ainda não está tudo na mesa.
19.46 - Jantar.
20.14 - Dar banho à Rita enquanto o esposo fica a vê-la chapinhar durante um minuto.
20.15 - O esposo senta-se a ver o Sporting-Benfica.
20.25 - Dar de mamar à Rita.
21.00 - O esposo tenta fazer o presépio n.º2 (durante o intervalo do jogo).
21.15 - Segunda parte do Sporting-Benfica. O resto da família fica a fazer sozinha o presépio n.º2.
22.00 - Final do Sporting-Benfica. O esposo desata aos gritos porque ainda ninguém está na cama.
22.45 - Adormecer na cama da filha mais velha, com a Rita ao colo, porque ela não pára de pensar no filme que o papá lhe mostrou quando tinha seis anos: O Tubarão, de Steven Spielberg.
03.15 - Acordar com os gritos do Tomás, com as costas doridas por ter demorado tanto tempo a tentar adormecer a filha mais velha, que não parava de pensar no filme que o papá lhe mostrou quando ela tinha seis anos: O Tubarão, de Steven Spielberg.
03.45 - A esposa e o esposo decidem ver finalmente, com dois anos de atraso, o último episódio da última temporada da série 24. O último episódio da última temporada da série 24 é uma grande treta.
04.30 - A esposa e o esposo tentam adormecer com o filho Tomás a tomar conta de metade da cama.
04.45 - A Rita acorda com fome. Trocar a fralda e dar de mamar.
05.15 - O Gui começa a guinchar no quarto dele. Depois acalma.
05.30 - O Gui volta a guinchar no quarto dele. Depois acalma.
06.00 - O esposo tem dificuldade em adormecer, e faz questão de mostrar isso mesmo à esposa.
06.30 - O esposo tem mesmo muita dificuldade em adormecer, e faz mesmo muita questão de mostrar isso à esposa.
07.00 - Dormir, finalmente.
07.30 - O Tomás pergunta se já se pode levantar.
07.45 - A Carolina levanta-se.
08.00 - O Gui pergunta se já se pode levantar.
08.05 - Levantar, tratar do lanche para a escola, ajudar a dar o pequeno-almoço e vestir os miúdos.
08.30 - O esposo sai do duche e pragueja ao reparar que está extraordinariamente atrasado para levar os miúdos à escola.
09.00 - Sai disparado.
09.01 - A Rita acorda com fome. Trocar a fralda e dar de mamar.

Chiça-cocó!

A minha amiga Sónia teve a simpatia de colocar um post no seu blogue anunciando a chegada ao mundo do Pais de Quatro, e de repente as visitas decuplicaram. Quando há bocado cheguei a casa já ia em mais de 17 mil visitas num único dia. Uau. É caso para dizer, chiça-penico! É grande a força do cocó. Obrigado, Sónia.

As últimas 15 horas da minha vida

19.00 - Chegar a casa e ajudar nos banhos.
19.30 - Jantar.
20.15 - Tentar ver o Sporting-Benfica.
20.45 - Tentar fazer o presépio n.º2 enquanto se tenta ver o Sporting-Benfica.
22.30 - Desatar aos gritos porque ainda ninguém está na cama.
22.45 - A esposa adormece na cama da filha mais velha enquanto tenta adormecer a filha mais velha.
23.00 - Começar a tentar escrever um texto para a Time Out que está em atraso.
23.30 - Continuar a tentar escrever um texto para a Time Out que está em atraso enquanto se assiste ao rescaldo do Sporting-Benfica.
00.00 - Adormecer todo torto na cama enquanto se tenta escrever um texto para a Time Out que está em atraso e se assiste ao rescaldo do Sporting-Benfica.
03.00 - Acordar com as costas doridas e com a repetição do rescaldo do Sporting-Benfica. Concluir a escrita do texto para a Time Out que está em atraso.
03.15 - Gritos do Tomás, pesadelo certificado, direito a ir dormir para a cama dos papás.
03.30 - A esposa acorda com as costas doridas por ter adormecido a tentar adormecer a filha mais velha.
03.45 - A esposa e o esposo decidem ver finalmente, com dois anos de atraso, o último episódio da última temporada da série 24. O último episódio da última temporada da série 24 é uma grande treta.
04.30 - A esposa e o esposo tentam adormecer com o filho Tomás a tomar conta de metade da cama.
04.45 - A Rita acorda com fome, é preciso trocar a fralda e dar de mamar.
05.15 - O Gui começa a guinchar no quarto dele. Depois acalma.
05.30 - O Gui volta a guinchar no quarto dele. Depois acalma.
06.00 - Está a ser complicado adormecer.
06.30 - Está a ser mesmo muito complicado adormecer.
07.00 - Dormir, finalmente.
07.30 - O Tomás pergunta se já se pode levantar.
07.45 - A Carolina levanta-se.
08.00 - O Gui pergunta se já se pode levantar.
08.15 - Levantar.
08.30 - Reparar que se está extraordinariamente atrasado para levar os miúdos à escola.
09.00 - Sair disparado.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Momento natalício #2

Este é o presépio n.º1. Ter dois presépios em casa não tem pés na cabeça, mas isto é como na Igreja do Santo Sepulcro - às vezes é extremamente difícil compatibilizar os vários membros da cristandade, e para evitar bulhas infanto-juvenis optou-se pela versão apócrifa da natividade. Faz de conta que o menino Jesus da Playmobil é o Brian. E eu adoro o Brian.


Momento natalício #1

O nascimento do presépio n.º2.


Alguma coisa muda na nossa vida quando os filhos se tornam mais responsáveis do que nós

Carolina, 8 anos: 'Importas-te de conduzir mais devagar? Estás a fazer essa curva muito depressa."
Pai da Carolina, 39 anos: "Grrrummfgh."

domingo, 9 de dezembro de 2012

Bico calado

Eis o primeiro parágrafo do meu texto de hoje na revista do CM:

Eu sabia que este dia iria chegar. “Nem penses em fazer um texto sobre isso. Não tens autorização!”, disse-me a minha filha Carolina, do alto dos seus oito anos. Do que estava ela a falar, não posso dizer, porque mo proibiu. Mas posso dizer que: 1) não era nada de importante; 2) estávamos a conversar só os dois; 3) a conversa era sobre a mãe; 4) nunca pensei escrever um texto sobre aquela conversa; 5) em última análise, nada disso interessa verdadeiramente para aqui. O que interessa é que a minha filha passou a ter a perfeita consciência de que eu escrevo sobre a nossa família, de que esses textos são lidos por muitas pessoas, e de que eles podem, por sua vez, fazer ricochete, e acertarem-nos de volta (raramente de uma maneira má, mas sempre de uma maneira que nós não controlamos).

O resto pode ser lido aqui:

http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/outros/domingo/bico-calado


Chiça-penico, o resumo

Vai-se a ver, e já está mesmo tudo inventado desde os gregos. Interrogava-me eu há uns dias onde é que os meus filhos tinham ouvido a expressão "chiça-penico" para desatarem a chiça-penicar a toda a hora, e graças aos lindos leitores deste blogue descobri que:

1. Há uma ladainha portuguesa que chiça-penica.
2. A Hannah Montana chiça-penica (e muito).
3. O Shrek chiça-penica com o Burro (obrigado, Maria Henrique Espada).
4. A Floribela já chiça-penicou.
5. E até o António Sala chiça-penica.

Como disse, e bem, um leitor: "Fico com a sensação de que todo o mundo já sabia, menos eu e o João." É absolutamente verdade. E ser o último a saber, nestas e noutras matérias, nunca é uma sensação agradável. De qualquer forma, um chiça-penico e um muito obrigado para todos. Agora já posso repreender os meus filhos com outro enquadramento.

Louis CK e a mudança de fraldas


Eu adoro este homem, mas a brutalidade do seu humor não é - definitivamente - para todos os estômagos. O que eu acho absolutamente espantoso é que Louie, a série que ele escreve, dirige e interpreta desde 2010, tenha entrado no mainstream e começado a acumular prémios e críticas entusiastas, ao ponto de ser apontada por muito boa gente como a melhor série de humor americana da actualidade. Parece-me uma extraordinária notícia que as pessoas passem a olhar para Louis CK não como uma besta mal-educada que diz tudo o que lhe vem à cabeça, mas como alguém que elevou o discurso sobre a família e os filhos para um patamar de tão absurda e íntima sinceridade, que dinamita todas as convenções burguesas e se torna pura e simplesmente hilariante. És o meu herói, Louis.

sábado, 8 de dezembro de 2012

Trabalhos de casa

É incrível como os irmãos podem ser tão diferentes. A Carolina demora uma eternidade para começar a fazer os trabalhos de casa. O Tomás, que entrou este ano para a primeira classe, não descansa enquanto não os acaba e qualquer coisa abaixo de perfeito é inaceitável para a cabecinha dele.


Se era para encontrar palavras começadas com b, quatro ou cinco não bastavam. Mal se conseguia encontrar o livro de português no meio de tantos jornais e revistas esburacados.

Sozinho em casa

Acabo de chegar a casa após ir a Braga gravar um Governo Sombra especial. Mal entro... silêncio absoluto. Este fim-de-semana, a Teresa decidiu ir com os miúdos para Castelo Branco e para os Montes da Senhora. Fiquei completamente sozinho.

Esta parte do post é para ser lida só por mulheres:

Oh, que falta sinto das birras do Gui, dos gritos do Tomás, do martelar do piano da Carolina, das choraminguices da Rita... Como fica vazia esta casa sem a presença da minha família... O que será de mim sem eles durante 30 horas?

Esta parte do post é para ser lida só por homens:

Trinta horas só para mim? 30-trinta-30 hooooooras? Iuuuupi! Filmes, livros, campeonato espanhol, Liga Inglesa, aqui vou eu! O Natal chegou antes do tempo!

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Roupa gira a preços giríssimos!

Para quem vive em Lisboa e gosta de comprar roupa divertida para os miúdos, de 5 a 11 de Dezembro a Piri-piri está com uma promoção absolutamente imperdível! Com a apresentação do vale dois por um especial Natal da Time Out, na compra de uma peça de roupa levamos grátis outra de valor igual ou inferior. E só é preciso comprar a revista desta semana, que custa 2€. Passando os conflitos de interesse matrimoniais que existem cá por casa (aviso: o marido, que é director adjunto da Time Out, não teve nada a ver com este post), é uma oportunidade fantástica. A Carolina fica ainda mais engraçada do que esta menina com a camisola que lhe comprei esta semana, e trouxe de graça uma do mesmo modelo para o Tomás. São tão quentinhas que eles nem sentiram o frio dos últimos dias.

A mamã é médica #3

O marido que frequenta este blogue escreveu sobre a gravidez da Kate: "quatro dias internada por causa de enjoos? Enjoa-se assim tanto do outro lado do canal da Mancha?"

Estarei eu a denotar algum preconceito em relação à pobre duquesa de Cambridge, excelentíssimo esposo? Todos sabemos que a gravidez, em especial durante o primeiro trimestre, é um período em que os enjoos são muito frequentes. Há quem lhes chame até enjoos matinais, se bem que de matinais não têm nada, pois  acontecem em qualquer altura do dia. Ora, uma em cada 300 grávidas sofre de uma grave apresentação destes enjoos, a que se chama hiperemese gravídica. Nestes casos, as náuseas e os vómitos são incoercíveis e violentos, e não cedem aos tratamentos habituais, podendo desencadear distúrbios nutritivos e metabólicos significativos, com perda de peso acentuada (por definição superior a 5% do peso corporal habitual).


A causa não está bem esclarecida, mas parece estar relacionada com as alterações hormonais da gravidez e stress intenso. Exactamente para evitar as consequências da desidratação e distúrbios que referi, algumas grávidas têm que ser hospitalizadas. Ora, as distintas grávidas de sangue azul têm as mesmas alterações hormonais que as grávidas da plebe, e até parece que sofrem de stress acentuado, pelo que têm todo o direito de necessitar de um internamento até deixarem de vomitar que nem uma pescada. E já agora, o tratamento desta situação passa por um suporte emocional, que parece ser muito importante. Portanto, o príncipe William vai mesmo ter de fazer um pouco mais do que uma visita por dia para que a sua duquesa se sinta melhor.

Chiça-penico, tanto enjoo

E já agora, a propósito da grávida Kate, aproveito para deixar uma pergunta à excelentíssima médica que frequenta este blogue: quatro dias internada por causa de enjoos? Enjoa-se assim tanto do outro lado do canal da Mancha?

O William é um gajo extraordinário

Parece que a Kate já saiu do hospital onde esteve quatro dias internada devido aos enjoos. O mundo inteiro rejubila de felicidade. Tanta felicidade, aliás, que na peça televisiva que noticiava o espantoso acontecimento era dito com grande ênfase (juro que até ouvi o coração da jornalista palpitar deste lado do televisor): "William não deixou passar um dia sem visitar a mulher."
Uau, a sério, William?!? Tu és o maior, meu! A tua mulher esteve internada quatro dias por estar grávida do teu filho e tu foste visitá-la toooooodos os dias? Abandonaste a totalidade absolutamente integral das tuas obrigações profissionais, que consistem em... bem, em... tipo... representar... e dar abraços... e sorrir e tal... além de, claro, fazer filhos varões... mas isso já estava feito, portanto... enfim... tu largaste tudo, tudo, tudo, para ires visitar a tua mulher? Que maravilha. O amor é mesmo a coisa mais linda do mundo.
E o machismo português a mais difícil de erradicar.